Programa injeta R$ 1,3 milhão na economia local e fortalece segurança alimentar de indígenas durante alta de casos de chikungunya
Dourados — O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena) alcançou nesta quinta-feira (23) um marco logístico e social na Reserva Indígena do município. Desde janeiro, a iniciativa já destinou mais de 100 toneladas de comida fresca às comunidades locais, unindo o combate à vulnerabilidade nutricional com a geração de renda para os próprios moradores.
Apenas nesta etapa de distribuição, sediada na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na aldeia Jaguapiru, o volume entregue ultrapassou a escala de 10 toneladas. O esquema de abastecimento continuará na sexta-feira (24) na Escola Indígena Francisco Meireles.
Operado pela Secretaria Municipal de Agricultura Familiar em colaboração com a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural do estado, o programa é lastreado por um repasse de aproximadamente R$ 1,3 milhão do Ministério do Desenvolvimento Social. O montante remunera diretamente 224 famílias indígenas cadastradas, que fornecem desde frutas e legumes até itens artesanais.
O impacto econômico imediato é sentido na base da cadeia produtiva local. O agricultor Cláudio Machado, que cultiva uma área de quatro hectares com os irmãos, foi responsável pela entrega de cerca de 4 toneladas de mandioca nesta fase. Segundo ele, o sistema garante um escoamento previsível e rentável para a colheita. “A gente planta de tudo um pouco e consegue vender tanto para o comércio da cidade quanto para o PAA, que incentiva a gente a produzir mais”, relatou.
Esse fomento também viabiliza o processamento de perecíveis, reduzindo perdas agrícolas. A produtora Diene Cabreira aproveitou a demanda estruturada pelo município para entregar 300 pães e 200 potes de doce. “Ajuda muito na renda e ainda evita desperdício, porque o mamão estraga rápido”, explicou.
A urgência da operação ganhou novos contornos sanitários nas últimas semanas. O secretário municipal de Agricultura Familiar, Bruno Pontim, destacou que o reforço na nutrição responde diretamente ao elevado número de infecções por chikungunya na região. “Estamos em um período de maior vulnerabilidade, e garantir alimentos frescos e de qualidade é essencial para essas famílias”, afirmou o secretário.
Como complemento à cesta de hortifrúti, o governo local retomou o repasse de leite pasteurizado. Um lote de 1.348 litros foi distribuído nesta quinta-feira, atendendo tanto o público no ponto de coleta presencial quanto as famílias assistidas em domicílio pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Para a moradora Daniela Benitez, a política pública supre lacunas nutricionais básicas no desenvolvimento infantil. “Muitas famílias têm crianças pequenas e nem sempre conseguem comprar leite. Essa ajuda faz diferença”, ressaltou.
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