Mais de duas dezenas de empresas recebem assistência técnica no sudoeste do estado; certificações nacionais abrem novos mercados para produtores
A união entre o ecoturismo e a produção artesanal consolidou uma nova dinâmica de geração de renda em Bonito. Espaços tradicionalmente conhecidos pelas belezas naturais e marcas locais já estabelecidas passaram a funcionar como vitrines coletivas para pequenos empreendedores do sudoeste de Mato Grosso do Sul.
O movimento é encabeçado por uma rede de 26 empresas acompanhadas pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS. Distribuídas entre Bonito, Jardim e Guia Lopes da Laguna, essas agroindústrias utilizam a colaboração mútua para driblar a sazonalidade característica de destinos turísticos.
Na Cachaçaria DiBonito, as prateleiras não exibem apenas os rótulos criados pelos sócios Júnior Esterquile e Hamilton. O comércio abriu espaço para molhos de pimenta, rapaduras e doces de leite de produtores parceiros. A estratégia de venda cruzada agrega valor ao produto principal e entrega ao visitante a experiência regional que ele busca, enquanto mantém o dinheiro circulando na própria cidade.
A lógica de mercado integrado se repete na Fazenda Ceita Corê, um dos atrativos mais visitados do município. O local transformou sua estrutura de recepção em um ponto de escoamento essencial para a cadeia produtiva do entorno.
“Quando a gente fortalece o outro, fortalece todo o sistema. Não é só sobre vender mais, é sobre fazer a economia girar para todo mundo.”
A visão do empresário Rafael Carvalho, à frente da fazenda, reflete a maturidade de negócios que agora buscam tracionar produtores menores. Esse processo focado na profissionalização tem gerado resultados diretos na competitividade dos itens da região.
A própria Fazenda Ceita Corê conquistou recentemente o Selo Arte para o seu doce de leite, uma certificação sanitária rigorosa que autoriza a comercialização do produto em todo o território nacional. No mesmo compasso, a Cachaçaria DiBonito foi premiada com uma medalha de prata em uma avaliação internacional do setor.
Para a coordenadora da ATeG Agroindústria, Camila Lima, a transição do produtor rural para a mentalidade empresarial é o marco central desse avanço. A capacitação permite que os empreendedores compreendam as exigências de mercado e atuem em rede, beneficiando consumidores com segurança alimentar e produtores com garantia de vendas.
O prêmio para quem aceita o desafio de se adequar às exigências comerciais é a quebra da dependência exclusiva da alta temporada turística. Ao estruturar um sistema onde um negócio serve de alavanca para o outro, as agroindústrias garantem um fluxo de caixa mais constante e preservam a sustentabilidade econômica regional durante o ano todo.
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