-- Localizando… | BTC -- USD / R$ -- USDR$ -- EURR$ --
Domingo, 10 de maio de 2026

Deputada do PSOL Erika Hilton aciona PGR contra lei que reserva banheiros para mulheres em Campo Grande

BrasilDeputada do PSOL Erika Hilton aciona PGR contra lei que reserva banheiros para mulheres em Campo Grande

Ação de Erika Hilton busca derrubar a Política Municipal de Proteção da Mulher, que restringe o uso de espaços públicos com base no sexo biológico.

Campo Grande — A recente aprovação da Lei Municipal 7.615/2026, que estabelece o critério de “mulheres biológicas” para o uso de banheiros públicos na capital sul-mato-grossense, tornou-se alvo de contestação em Brasília. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a análise da constitucionalidade da medida e seu encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Sancionada pela prefeitura, a norma institui a Política Municipal de Proteção da Mulher. O texto legal prevê a “utilização de banheiros exclusivos às mulheres biológicas, como forma de resguardar a sua intimidade”. A oposição à lei, no entanto, argumenta que a diretriz na prática impede o acesso de mulheres trans e travestis a esses espaços, gerando constrangimento e segregação.

No ofício enviado ao procurador-geral, Hilton questiona a viabilidade prática e legal da regra. “Como será feita a fiscalização sobre quem é uma ‘mulher biológica’? Obrigarão mulheres a apresentarem exames de gênero antes de usarem banheiros? Forçarão a mostrar seus genitais?”, indaga a representação.

A parlamentar sustenta que a restrição municipal invade a competência da União para legislar sobre direito civil, o que caracterizaria inconstitucionalidade formal. A deputada argumenta, também, que a norma “gera violência contra todas as mulheres, inclusive mulheres cis”, ao estabelecer potenciais mecanismos de controle sobre os corpos femininos na porta de espaços públicos.

Para Hilton, a lei fomenta um alarme infundado no debate da segurança pública. “Estamos diante de uma lei que transforma um risco praticamente inexistente em pânico moral, enquanto ignora onde a violência de fato acontece”, afirmou. Ela defende que a proteção legítima às mulheres deve ser pautada em investigações e políticas direcionadas aos agressores reais.

O movimento da parlamentar paulista visa forçar o controle concentrado de constitucionalidade no STF para suspender os efeitos da legislação municipal. Caso a PGR acate o pedido e proponha a ação, o Supremo poderá fixar um precedente nacional sobre os limites de prefeituras e câmaras locais legislarem em torno de critérios biológicos na utilização de banheiros, impactando iniciativas de teor semelhante que tramitam em outras regiões do país.


BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.

Veja também

Explore outras tags:

Os mais populares