Encontro no STF sinaliza mudança estratégica após troca de advogados no caso das fraudes no Banco Master
Brasília — A defesa de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e um dos investigados na Operação Compliance Zero, reuniu-se na última semana com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, confirmado nesta quarta-feira, 1º de abril, teve como objetivo central discutir a viabilidade de um acordo de delação premiada, em um movimento que pode aprofundar as investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Zettel, apontado pelos investigadores como braço direito e operador de confiança de Vorcaro, é figura central no inquérito relatado por Mendonça. A iniciativa de buscar uma colaboração com a Justiça ocorre imediatamente após uma reformulação completa em sua equipe jurídica. Os advogados anteriores deixaram o caso devido a divergências fundamentais sobre a estratégia de defesa, especificamente no que diz respeito à disposição de Zettel em colaborar com as autoridades.
A nova condução dos interesses de Zettel está a cargo do advogado Celso Vilardi, profissional com histórico de atuação em casos de repercussão nacional, incluindo defesas na Operação Lava Jato e o julgamento relativo à tentativa de golpe de Estado. A contratação de Vilardi reforça a guinada pragmática da defesa diante do avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF), que recentemente teve o prazo de inquérito prorrogado por mais 60 dias pelo ministro relator.
O movimento de Zettel não é isolado. Informações de bastidores indicam que o próprio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e detido na mesma operação, também estaria avaliando os termos de uma colaboração premiada por meio de seu novo defensor, José Luis Oliveira. A possibilidade de delações cruzadas entre o banqueiro e seu cunhado eleva a pressão sobre os demais núcleos investigados na Operação Compliance Zero, que apura desvios bilionários e transações fraudulentas.
As investigações da PF sustentam que Fabiano Zettel atuava na conexão de diferentes núcleos do esquema, viabilizando transações consideradas suspeitas sob o comando de Vorcaro. Uma eventual homologação do acordo de delação dependerá da relevância das informações apresentadas e da capacidade de Zettel em fornecer provas que ajudem a desvendar a engenharia financeira do grupo.
No STF, o caso segue sob sigilo, mas a reunião entre a defesa e o relator marca uma etapa decisiva para o desfecho do processo. O próximo passo da Polícia Federal deve envolver o cruzamento de dados obtidos em quebras de sigilo com os depoimentos que podem advir desses novos acordos. Até o momento, o Banco Master e a defesa de Daniel Vorcaro não emitiram novos posicionamentos sobre as tratativas de colaboração.
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