Acordo diplomático marca possível aproximação direta inédita em 34 anos, mas esbarra na resistência do grupo Hezbollah
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16) que os governos de Israel e do Líbano concordaram com um cessar-fogo provisório de dez dias. A trégua, com início agendado para as 18h no horário de Brasília, busca interromper temporariamente a intensa ofensiva de forças israelenses no território vizinho.
A mediação ocorreu mediante contatos diretos da Casa Branca. “Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias”, declarou o presidente norte-americano. A movimentação incluiu conversas telefônicas de Trump com as partes envolvidas, destacando-se o diálogo com o presidente libanês, Joseph Aoun.
No cenário geopolítico do Oriente Médio, o anúncio tem potencial para quebrar um longo isolamento institucional. Uma eventual reunião presencial entre lideranças de Israel e Líbano representaria o primeiro encontro do tipo em 34 anos, embora autoridades em Beirute ainda não tenham confirmado o diálogo face a face.
A estabilidade do acordo, porém, já nasce sob pressão. O grupo terrorista Hezbollah, que opera a partir do sul do Líbano e tem sido o alvo central das operações militares israelenses, manifestou anteriormente que não tem intenção de respeitar o compromisso firmado pelo governo de seu país.
O conflito no terreno continuou a deixar marcas nas infraestruturas civis pouco antes do anúncio. Segundo a agência libanesa NNA, forças israelenses destruíram completamente a ponte Qasmieh, eliminando a última via terrestre que conectava o sul libanês ao restante do território nacional.
As atuais hostilidades reavivam um histórico de mais de meio século de instabilidade transfronteiriça. As relações entre os dois países permanecem rompidas desde a década de 1970, período que antecedeu as invasões militares de Israel ao sul do Líbano em 1978 e 1982, ambas motivadas pela necessidade de frear ataques constantes de milícias armadas baseadas na região.
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