Guarda Revolucionária iraniana desconsidera declarações de Donald Trump e atinge embarcações indianas em meio a negociações de paz
O Irã reverteu a decisão de liberar o tráfego no Estreito de Ormuz neste sábado (18), impondo um novo bloqueio militar na região. Durante a operação de fechamento da rota, lanchas iranianas abriram fogo contra dois navios-tanque da Índia, elevando a tensão em uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo.
A ofensiva ocorre apenas dois dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um cessar-fogo de dez dias de Israel no Líbano. A pausa nas hostilidades figura como peça central nas negociações conduzidas sob mediação do Paquistão para encerrar o conflito deflagrado no fim de fevereiro entre americanos, israelenses e iranianos.
O governo do Irã condiciona a reabertura definitiva da rota ao fim das restrições impostas pelos Estados Unidos aos portos iranianos. Em contrapartida, Trump sinalizou na plataforma Truth Social que as tropas americanas só deixarão a via militarmente bloqueada desde segunda-feira (13) quando as negociações estiverem “100% concluídas”.
Para o presidente americano, o canal “está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”. A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, no entanto, contestou diretamente a afirmação, declarando que as palavras do líder republicano “não têm validade”.
O comando militar de Teerã alertou que qualquer embarcação que se aproximar do estreito sem sua autorização será tratada como colaboradora do inimigo e alvo potencial. Uma ameaça também foi direcionada à Marinha dos Estados Unidos, que, segundo um comandante local iraniano, sofrerá um “duro golpe” caso decida atacar a frota do país do Oriente Médio.
O ataque aos navios indianos foi monitorado pelo Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, que atestou a segurança da tripulação. Um dos alvos atingidos pelas lanchas foi um supertanque de bandeira indiana que transportava uma carga de 2 milhões de barris de petróleo extraído no Iraque.
Em Nova Déli, o Ministério das Relações Exteriores interveio no caso. O secretário Vikram Misri convocou o embaixador iraniano, Mohammad Fathali, para expressar repúdio diplomático e cobrar o restabelecimento imediato da segurança no trânsito comercial em direção à Índia.
Apesar da escalada militar no Golfo, tanto Washington quanto Teerã indicaram que os canais diplomáticos permanecem em andamento. Enquanto o governo iraniano analisa novas propostas americanas, Trump afirmou à imprensa local que “conversas muito boas estão acontecendo”.
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