Encontro reuniu mais de mil especialistas para debater aleitamento e alimentação na primeira infância; presença indígena e diversidade territorial pautaram estratégias de saúde pública
Campo Grande — A capital sul-mato-grossense tornou-se o epicentro das discussões sobre políticas públicas de primeira infância nos últimos dias de abril. Sediar de forma simultânea o XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e o VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS) garantiu ao município um espaço de destaque na formulação de diretrizes para a saúde infantil no país.
O evento, realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, atraiu um contingente expressivo: mais de mil participantes cruzaram as regiões do Brasil para o debate. A programação também incorporou uma dimensão internacional, contando com a presença de representantes da rede IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar) vindos do México, Argentina, Espanha e Portugal.
A amplitude do encontro permitiu um mapeamento das disparidades na atenção primária. Carla Caroline Silva dos Santos, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, apontou que a imersão na realidade local facilita a visualização dos contrastes demográficos.
“A gente consegue identificar as desigualdades que os territórios apresentam, considerando as diferenças de raça, de classe, de etnias, e trazendo o olhar sobre a população indígena, que o Mato Grosso do Sul tem bastante”, observou a representante do governo federal, ressaltando que essa leitura crítica é fundamental para a elaboração de ações mais precisas nos postos de saúde.
O intercâmbio de soluções operacionais pautou as conversas entre os profissionais. Municípios de menor porte compartilharam métodos de superação de gargalos estruturais com grandes capitais. Para a enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Suzilene dos Santos Bernades, o contato com delegações de locais como Macapá e Maranhão ofereceu um panorama enriquecedor sobre a gestão de crises diárias no atendimento à infância.
O simbolismo também integrou a agenda técnica. Em uma das atividades, a representação de um ipê branco serviu como analogia anatômica e social da amamentação, onde raízes, tronco e flores ilustravam o ciclo de produção do leite materno. A nutricionista Neide Cruz destacou a importância do engajamento. “Quando colocamos nossos nomes ali, assumimos um compromisso com essa causa, com a vida e com o futuro das crianças”, pontuou.
A perspectiva de consolidar Campo Grande como um polo de referência na área é endossada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. A realização de encontros com essa envergadura, segundo a avaliação da pasta, reverbera diretamente na qualidade do serviço prestado localmente, convertendo o intercâmbio técnico em melhorias efetivas para a população.
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