Na manhã desta terça-feira (28), a área externa da Catedral de Brasília foi palco de uma manifestação simbólica organizada por grupos pró-vida que reuniu cerca de 400 pares de sapatinhos de bebê. O ato teve como objetivo protestar contra a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
A mobilização chamou atenção pela forte carga visual e emocional. Os sapatinhos foram dispostos como representação simbólica da defesa da vida desde a concepção, pauta central dos manifestantes. O protesto ocorre na véspera da sabatina de Messias no Senado Federal, etapa decisiva para a confirmação de seu nome à Suprema Corte.
Pressão no Senado
Além do ato público, representantes do movimento também se mobilizaram politicamente. Durante a tarde, integrantes da manifestação visitaram gabinetes de mais de 40 senadores que ainda não haviam declarado voto sobre a indicação. A estratégia foi levar argumentos e tentar influenciar parlamentares indecisos antes da sabatina.
Nos bastidores, a movimentação evidencia que a indicação de Messias enfrenta resistência em setores conservadores, especialmente por conta de posicionamentos jurídicos anteriores ligados a temas sensíveis, como o aborto.
Organização e articulação
O protesto foi organizado pela CitizenGO, com apoio direto do Instituto Isabel. A entidade brasileira tem se destacado na defesa de pautas conservadoras e na mobilização de ações públicas com forte apelo simbólico.
A idealização e articulação do ato contou com a atuação da ativista Andressa Bravin, que tem ganhado projeção nacional dentro do movimento pró-vida. Segundo apoiadores, a iniciativa buscou não apenas protestar, mas também ampliar o debate público sobre o perfil ideológico de indicados ao STF.
Ponto central da crítica
Os manifestantes destacam como principal motivo de preocupação o parecer assinado por Jorge Messias na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1141, enquanto exercia o cargo de advogado-geral da União. Para os organizadores, o posicionamento adotado nesse caso demonstra alinhamento com pautas consideradas abortistas, o que, segundo eles, não seria compatível com a função de ministro da Suprema Corte.
Cenário político
A indicação de um ministro do STF costuma mobilizar diferentes setores da sociedade, mas, neste caso, o nível de engajamento de grupos organizados evidencia a polarização em torno de temas morais e constitucionais no Brasil.
A sabatina no Senado deverá ser o próximo capítulo dessa disputa, com expectativa de debates intensos sobre a atuação passada de Messias, sua visão jurídica e o impacto de sua eventual nomeação no equilíbrio da Corte.

