A notícia que circula nos bastidores de Brasília nesta terça-feira (10) confirmou o que muitos críticos do atual sistema judiciário já temiam: a institucionalização de uma relação que, para juristas conservadores, deveria ser estritamente profissional e distante. O delegado federal Fábio Shor, peça-chave nas investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi oficialmente nomeado assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF).
O “Premiado” da Vez
Fábio Shor não é um nome desconhecido. Ele foi o responsável por conduzir os inquéritos que levaram ao indiciamento de Bolsonaro e de diversos de seus aliados. Sob sua batuta, foram produzidos os relatórios que deram subsídio para a denúncia da PGR e a posterior condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão.
A nomeação, assinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União (DOU), coloca o delegado diretamente sob as ordens de Moraes, o magistrado que foi o principal algoz político do ex-presidente durante todo o seu mandato.
Análise: O Fim da Aparência de Imparcialidade?
Para setores da direita e defensores das garantias constitucionais, essa movimentação política dentro do Judiciário acende um alerta vermelho por três motivos principais:
- Conflito de Interesses: Como pode um delegado, que deve atuar com isenção técnica na Polícia Federal, ser “recompensado” com um cargo de confiança no gabinete do ministro que julgou suas próprias investigações?
- Aparelhamento: A migração de quadros da Polícia Federal para dentro dos gabinetes do STF reforça a narrativa de que existe uma estrutura paralela de poder focada em um grupo político específico.
- Princípio da Impessoalidade: A Constituição Federal exige que a administração pública seja impessoal. Nomear o investigador para ser assessor do juiz logo após o desfecho de um caso ruidoso fere, no mínimo, a estética da justiça.
“Só mais um dia comum no STF”, ironizou uma internauta nas redes sociais, resumindo o sentimento de parte da população que enxerga um alinhamento político evidente entre os tribunais superiores e os órgãos de investigação.
O que diz a oposição
Parlamentares da oposição já articulam pedidos de esclarecimento sobre a natureza da função que Shor exercerá no STF. O temor é que o gabinete de Moraes esteja se transformando em uma central de inteligência que ignora o devido processo legal e as prerrogativas de foro, utilizando-se de “delegados de confiança” para perpetuar inquéritos que parecem não ter fim.
Enquanto o STF trata a nomeação como uma escolha técnica administrativa, o campo conservador lê o gesto como um troféu político — um sinal claro de que, no cenário atual, o mérito parece estar atrelado à eficácia em perseguir adversários do sistema.

