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Domingo, 10 de maio de 2026

PF e STF: Nomeação de delegado que indiciou Bolsonaro para gabinete de Moraes levanta suspeitas de “prêmio”

BrasilPF e STF: Nomeação de delegado que indiciou Bolsonaro para gabinete de Moraes levanta suspeitas de "prêmio"

A notícia que circula nos bastidores de Brasília nesta terça-feira (10) confirmou o que muitos críticos do atual sistema judiciário já temiam: a institucionalização de uma relação que, para juristas conservadores, deveria ser estritamente profissional e distante. O delegado federal Fábio Shor, peça-chave nas investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi oficialmente nomeado assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF).


O “Premiado” da Vez
Fábio Shor não é um nome desconhecido. Ele foi o responsável por conduzir os inquéritos que levaram ao indiciamento de Bolsonaro e de diversos de seus aliados. Sob sua batuta, foram produzidos os relatórios que deram subsídio para a denúncia da PGR e a posterior condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão.
A nomeação, assinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União (DOU), coloca o delegado diretamente sob as ordens de Moraes, o magistrado que foi o principal algoz político do ex-presidente durante todo o seu mandato.


Análise: O Fim da Aparência de Imparcialidade?
Para setores da direita e defensores das garantias constitucionais, essa movimentação política dentro do Judiciário acende um alerta vermelho por três motivos principais:

  1. Conflito de Interesses: Como pode um delegado, que deve atuar com isenção técnica na Polícia Federal, ser “recompensado” com um cargo de confiança no gabinete do ministro que julgou suas próprias investigações?
  2. Aparelhamento: A migração de quadros da Polícia Federal para dentro dos gabinetes do STF reforça a narrativa de que existe uma estrutura paralela de poder focada em um grupo político específico.
  3. Princípio da Impessoalidade: A Constituição Federal exige que a administração pública seja impessoal. Nomear o investigador para ser assessor do juiz logo após o desfecho de um caso ruidoso fere, no mínimo, a estética da justiça.

“Só mais um dia comum no STF”, ironizou uma internauta nas redes sociais, resumindo o sentimento de parte da população que enxerga um alinhamento político evidente entre os tribunais superiores e os órgãos de investigação.

O que diz a oposição
Parlamentares da oposição já articulam pedidos de esclarecimento sobre a natureza da função que Shor exercerá no STF. O temor é que o gabinete de Moraes esteja se transformando em uma central de inteligência que ignora o devido processo legal e as prerrogativas de foro, utilizando-se de “delegados de confiança” para perpetuar inquéritos que parecem não ter fim.
Enquanto o STF trata a nomeação como uma escolha técnica administrativa, o campo conservador lê o gesto como um troféu político — um sinal claro de que, no cenário atual, o mérito parece estar atrelado à eficácia em perseguir adversários do sistema.

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