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Domingo, 10 de maio de 2026

Guerra no Irã ameaça inflação e força agro brasileiro a refazer rotas; Tereza Cristina e Fiesp debatem

BrasilGuerra no Irã ameaça inflação e força agro brasileiro a refazer rotas; Tereza Cristina e Fiesp debatem

Setor produtivo alerta para encarecimento de fertilizantes e gargalos logísticos no Oriente Médio; conselhos da Fiesp cobram protagonismo privado ante crise global.

São Paulo — A escalada do conflito militar envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos já impõe custos adicionais à cadeia produtiva nacional e ameaça pressionar a inflação brasileira. O diagnóstico central pautou a mais recente reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que debateu as vulnerabilidades do país diante da instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

O epicentro da crise atinge diretamente uma região classificada como destino estruturante para as exportações brasileiras. Para a senadora Tereza Cristina (PP-MS), presidente do Cosag, o impacto imediato recai sobre a estrutura de custos do campo, especialmente na importação de insumos essenciais à produção de alimentos. “Mesmo se a guerra acabasse hoje, sentiríamos os efeitos por longo tempo no aumento de custos de produção para o agro, sobretudo nos preços de fertilizantes”, afirmou a parlamentar, projetando o mês de agosto como um marco temporal decisivo para medir a real extensão do desequilíbrio financeiro no setor.

O gargalo logístico provocado pelas tensões já exige operações complexas de contingência por parte das empresas. O mercado do Oriente Médio absorve quase um terço das exportações brasileiras de frango — exatos 30%. Para manter o fluxo operante e entregar o volume diário de 200 contêineres direcionados à região afetada, a agroindústria foi forçada a alterar o tráfego dos navios e adotar o trajeto mais longo pelo Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, relatou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

A preocupação com o escoamento logístico divide espaço com o risco sistêmico de desabastecimento na via de mão dupla. Mais de um terço de toda a produção mundial de ureia — 34% — tem origem exata na zona de conflito. O dado, apresentado pelo presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, acende um alerta direto para a manutenção da infraestrutura global de fertilizantes.

Diante da inoperância dos organismos internacionais tradicionais na mediação da crise, o atual presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, embaixador Roberto Azevêdo, cobrou uma postura mais ativa do setor privado. A meta é estruturar uma tática de mercado independente que blinde a competitividade nacional e assegure o fornecimento sustentável de insumos básicos.

Nos bastidores da crise, o cenário de incerteza global força uma reconfiguração de macroestratégias. O economista e vice-presidente do Coscex, Marcos Troyjo, definiu a conjuntura como uma era de “policrise” regida por um novo paradigma decisório: economia, segurança e geopolítica. Nesse redesenho forçado das cadeias globais de suprimento, o Brasil encontra uma janela política e comercial para se consolidar definitivamente como um fornecedor confiável e seguro de alimentos e minerais críticos para o Ocidente.


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