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Domingo, 10 de maio de 2026

Fachin libera venda de imóveis do GDF para socorrer caixa do BRB

BrasilFachin libera venda de imóveis do GDF para socorrer caixa do BRB

Presidente do STF reverte liminar que travava alienação de bens públicos; banco estatal é alvo de investigações após transações com o Master

Brasília — O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, reverteu neste sábado a decisão judicial que bloqueava a alienação de nove bens públicos pelo Governo do Distrito Federal. A medida liminar visa garantir o reforço patrimonial e a recomposição de liquidez do Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal que enfrenta um cenário de vulnerabilidade em meio a apurações da Polícia Federal.

O pacote de desestatização imobiliária, estruturado pelo Executivo e aprovado pela Câmara Legislativa, abrange a venda de prédios, lotes e uma área localizada em região de mananciais. A execução do projeto estava paralisada desde a última quinta-feira por determinação do desembargador Rômulo de Araújo Mendes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). A reviravolta ocorreu após o governo local recorrer à Suprema Corte.

A manutenção do veto judicial, na avaliação de Fachin, provocava uma “grave lesão à ordem administrativa”. O presidente do STF argumentou que a trava judicial impedia a implementação de uma política pública voltada ao enfrentamento da situação econômico-financeira sensível do banco distrital. A instituição estatal desempenha um papel determinante na arquitetura econômica da capital federal.

O BRB atua como uma das espinhas dorsais da administração pública do Distrito Federal. A estatal é responsável pela operacionalização de programas sociais relevantes, pelo processamento da folha de pagamento dos servidores públicos e pela gestão de um volume expressivo de depósitos, incluindo as contas judiciais. O banco também possui peso estrutural na concessão de crédito para a movimentação da economia local.

Inviabilizar a capitalização da instituição e a recomposição de seus índices de liquidez, conforme o despacho do STF, impactaria diretamente a percepção de risco dos investidores. O bloqueio das alienações trazia um potencial reflexo negativo sobre a confiança do mercado, ameaçando a estabilidade de suas operações e o valor de seus ativos. A determinação de Fachin ainda será submetida a referendo no Plenário Virtual do STF, enquanto o TJDF julgará o mérito da validade da lei local.

O esforço da administração para injetar recursos no caixa estatal ocorre de forma simultânea ao avanço das investigações sobre a governança da instituição financeira. O BRB entrou na mira das autoridades após o histórico recente com o Banco Master, que vendeu carteiras de créditos de liquidação duvidosa aos cofres distritais. A crise escalou quando o BRB tentou adquirir o próprio Master, operação que acabou vetada pelo Banco Central sob a justificativa de falta de viabilidade e risco excessivo ao erário.

A operação de crédito culminou na prisão preventiva do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Os inquéritos apontam que o ex-executivo atuava de forma clandestina como um mandatário de Daniel Vorcaro, dono do Master, no interior do banco público. A contrapartida para viabilizar o esquema seria o recebimento de propinas materializadas na transferência de imóveis de alto padrão.

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou na sexta-feira, em decisão unânime, a manutenção da prisão preventiva de Costa. O colegiado também decidiu manter encarcerado o advogado Daniel Monteiro, investigado sob a suspeita de organizar os repasses de propina. O único voto favorável à soltura de Monteiro partiu do ministro Gilmar Mendes, que defendeu a conversão da pena para prisão domiciliar com monitoramento eletrônico e restrições de contato, mas acabou vencido pelos pares.


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