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Domingo, 10 de maio de 2026

Agência rebaixa nota do BRB e aponta risco de calote em meio a atraso em plano de socorro

BrasilAgência rebaixa nota do BRB e aponta risco de calote em meio a atraso em plano de socorro

Balanço de 2025 não foi entregue no prazo legal; instituição prevê que recomposição do patrimônio pelo governo local leve mais dois meses

Brasília — O Banco de Brasília (BRB) adiou para o final de maio a conclusão do plano de recomposição de seu patrimônio, arquitetado pelo governo do Distrito Federal (GDF). A extensão do prazo ocorre no mesmo momento em que a agência de classificação de risco Moody’s rebaixa a nota da instituição financeira, apontando fragilidades na governança e um cenário de provável inadimplência.

A crise de liquidez tem origem no envolvimento do banco estatal com o Banco Master, operação que exigiu uma injeção de R$ 16,7 bilhões por parte do BRB. Estimativas do mercado financeiro calculam que o buraco deixado nas contas do banco supere a marca de R$ 8 bilhões.

A gravidade da situação se reflete na avaliação da Moody’s, que alertou para a urgência da capitalização. Sem o aporte de recursos, a agência considera que a qualidade de crédito do banco é insuficiente, classificando a instituição como estando “perto de default”, ou seja, em risco iminente de calote em suas obrigações financeiras.

Como reação ao rebaixamento, o BRB divulgou nota na noite de quinta-feira (2) em que classifica a decisão da agência como o reflexo de “um momento específico, relacionado ao processo de capitalização em andamento e à atualização das demonstrações financeiras”. A administração do banco assegura que o GDF já possui medidas estruturadas de capital e trata o cenário como transitório.

As opções desenhadas pelo governo do Distrito Federal formam um leque extenso, mas nenhuma ação prática foi concluída até o momento. As propostas envolvem desde a captação de R$ 8,8 bilhões via emissão de ações em bolsa — com assembleia agendada para o dia 22 — até um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Estuda-se, ainda, a venda de ativos, a criação de fundos imobiliários com lotes públicos e o bloqueio judicial de bens do Banco Master.

A opacidade sobre o tamanho real do impacto nas contas da instituição aumentou na terça-feira (31), quando o BRB descumpriu o prazo regulamentar para a divulgação de seu balanço consolidado de 2025. O atraso, segundo o próprio banco, é consequência de uma auditoria forense contratada para apurar a operação ‘Compliance Zero’ e da necessidade de avaliar seus impactos.

Para a Moody’s, a ocultação do balanço eleva a desconfiança sobre a saúde patrimonial do BRB. A agência destaca que a demora em levantar recursos evidencia a “dificuldade do GDF” em atender à proporcionalidade da necessidade do banco, alertando que o risco de calote pode transbordar para o próprio controlador, gerando “sérios problemas de imagem e reputação para o governo”.


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