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Domingo, 10 de maio de 2026

Evento nacional em Campo Grande expõe desafios regionais na formulação de políticas de nutrição infantil

Mato Grosso do SulEvento nacional em Campo Grande expõe desafios regionais na formulação de políticas de nutrição infantil

Encontro reuniu mais de mil especialistas para debater aleitamento e alimentação na primeira infância; presença indígena e diversidade territorial pautaram estratégias de saúde pública

Campo Grande — A capital sul-mato-grossense tornou-se o epicentro das discussões sobre políticas públicas de primeira infância nos últimos dias de abril. Sediar de forma simultânea o XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e o VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS) garantiu ao município um espaço de destaque na formulação de diretrizes para a saúde infantil no país.

O evento, realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, atraiu um contingente expressivo: mais de mil participantes cruzaram as regiões do Brasil para o debate. A programação também incorporou uma dimensão internacional, contando com a presença de representantes da rede IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar) vindos do México, Argentina, Espanha e Portugal.

A amplitude do encontro permitiu um mapeamento das disparidades na atenção primária. Carla Caroline Silva dos Santos, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, apontou que a imersão na realidade local facilita a visualização dos contrastes demográficos.

“A gente consegue identificar as desigualdades que os territórios apresentam, considerando as diferenças de raça, de classe, de etnias, e trazendo o olhar sobre a população indígena, que o Mato Grosso do Sul tem bastante”, observou a representante do governo federal, ressaltando que essa leitura crítica é fundamental para a elaboração de ações mais precisas nos postos de saúde.

O intercâmbio de soluções operacionais pautou as conversas entre os profissionais. Municípios de menor porte compartilharam métodos de superação de gargalos estruturais com grandes capitais. Para a enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Suzilene dos Santos Bernades, o contato com delegações de locais como Macapá e Maranhão ofereceu um panorama enriquecedor sobre a gestão de crises diárias no atendimento à infância.

O simbolismo também integrou a agenda técnica. Em uma das atividades, a representação de um ipê branco serviu como analogia anatômica e social da amamentação, onde raízes, tronco e flores ilustravam o ciclo de produção do leite materno. A nutricionista Neide Cruz destacou a importância do engajamento. “Quando colocamos nossos nomes ali, assumimos um compromisso com essa causa, com a vida e com o futuro das crianças”, pontuou.

A perspectiva de consolidar Campo Grande como um polo de referência na área é endossada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. A realização de encontros com essa envergadura, segundo a avaliação da pasta, reverbera diretamente na qualidade do serviço prestado localmente, convertendo o intercâmbio técnico em melhorias efetivas para a população.


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