Pronunciamento ocorreu na televisão estatal do Irã, permeado por críticas aos Estados Unidos, uma das nações anfitriãs do torneio mundial.
O Estado iraniano abriu mão de disputar a Copa do Mundo da Fifa.
O comunicado foi feito pelo chefe da pasta do Esporte do país, Ahmad Donyamali, à televisão estatal durante a manhã desta quarta-feira (11).
O líder supremo Ali Khamenei perdeu a vida em uma ofensiva coordenada pelos Estados Unidos e por Israel no dia 28 de fevereiro, desencadeando um conflito armado que atinge a marca de 11 dias.
Nas primeiras horas desta quarta, o mandatário da Fifa, Gianni Infantino, relatou ter se encontrado com o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump. O presidente dos EUA teria manifestado apoio à entrada do Irã no Mundial deste ano, cuja sede será dividida conjuntamente entre os territórios dos Estados Unidos, do México e do Canadá.
(A seleção do Irã em partida contra a Coreia do Norte pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da Fifa, ocorrida em junho de 2025)
O Irã abandonou a disputa da Copa do Mundo da Fifa, de acordo com o noticiário internacional. A informação foi repassada pelo ministro do Esporte da nação, Ahmad Donyamali, à emissora pública iraniana na manhã desta quarta-feira (11).
“Considerando que este regime corrupto (os EUA) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”, declarou o ministro à TV mantida pelo Estado.
O torneio mundial organizado pela Fifa ocorrerá no período de 11 de junho a 19 de julho, com partidas agendadas nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
“Nossas crianças não estão seguras e, fundamentalmente, não existem condições para participação”, justificou Ahmad Donyamali.
“Diante das ações maliciosas que realizaram contra o Irã, eles nos impuseram duas guerras em oito ou nove meses e mataram e martirizaram milhares de nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter esse tipo de presença.”
No chaveamento estabelecido no mês de dezembro, a seleção do Irã foi sorteada para o Grupo G, juntamente com as equipes da Bélgica, do Egito e da Nova Zelândia. Os três confrontos do time estavam previstos para acontecer no território dos Estados Unidos — sendo dois embates na cidade de Los Angeles e um em Seattle.
O Irã representou a única nação a faltar a um encontro estratégico da Fifa que reuniu as equipes garantidas na Copa do Mundo, evento ocorrido na semana antecedente, na cidade de Atlanta. Veículos de imprensa tentaram contato com a entidade máxima do futebol em busca de um posicionamento sobre o caso, mas ainda não obtiveram retorno.
O líder máximo Ali Khamenei foi assassinado em um bombardeio conjunto orquestrado por Estados Unidos e Israel no último dia 28 de fevereiro. O episódio deu origem a uma guerra que já se arrasta por 11 dias, acarretando impactos severos para a economia global e gerando incertezas quanto à produção e à distribuição de fluxo de petróleo no mundo.
Previamente, ao longo desta quarta-feira, Gianni Infantino, presidente da Fifa, mencionou ter realizado uma reunião com Donald Trump, presidente dos EUA. O líder norte-americano teria endossado a participação da equipe iraniana na Copa do Mundo deste ano, que conta com Estados Unidos, México e Canadá como sedes compartilhadas.
O Estado iraniano foi o único ausente em uma convenção preparatória da Fifa envolvendo os países classificados para o Mundial, promovida na última semana em Atlanta. O não comparecimento ampliou as dúvidas a respeito da viabilidade de a seleção iraniana atuar em solo americano no verão que se aproxima, em função do agravamento de um conflito bélico regional.
Trump declarou anteriormente ao portal Politico que não nutre preocupações a respeito da entrada iraniana no torneio, pontuando que a nação persa acabou sendo “muito duramente derrotada”.
“Também falamos sobre a situação atual no Irã e sobre o fato de que a seleção iraniana se classificou para disputar a Copa do Mundo de 2026”, ressaltou Infantino em uma publicação divulgada em sua conta oficial nas redes sociais.
“Durante as conversas, o presidente Trump reiterou que a equipe do Irã é, naturalmente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos.”
“Todos precisamos de um evento como a Copa do Mundo da FIFA para unir as pessoas agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos pelo apoio, que demonstra mais uma vez que o futebol une o mundo”, complementou o dirigente.
O Irã havia assegurado seu passaporte para a quarta Copa do Mundo consecutiva após encerrar a terceira etapa das eliminatórias do continente asiático na liderança do Grupo A no ano passado. Mesmo assim, Mehdi Taj, mandatário da Football Federation of the Islamic Republic of Iran, afirmou que a severidade dos ataques conduzidos pelas forças dos Estados Unidos e de Israel não representa um indício positivo para a realização do campeonato.

