Iniciativa mapeou recursos hídricos na fronteira e utilizou inteligência artificial para criar materiais de educação ambiental
Antônio João — Um mapeamento das nascentes da região de fronteira com o Paraguai rendeu à equipe “Heróis do Agro AJ” o segundo lugar na etapa final do programa Jovem Sucessor Rural, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS). A iniciativa transformou áreas hídricas locais, muitas vezes ignoradas, no centro de uma ação focada em pesquisa de campo e educação.
O projeto nasceu da percepção de que os recursos naturais do município precisavam de maior valorização. Para entender o cenário, os jovens iniciaram uma série de visitas técnicas a propriedades rurais locais, abrindo diálogo direto com os produtores sobre a conservação da água.
O foco das abordagens foi a implementação de práticas viáveis e protetivas. Amanda da Costa, uma das participantes, explica que as conversas orientaram medidas diretas. “A gente conversou com os proprietários sobre ações que ajudam na preservação, como evitar a entrada de animais nas áreas próximas e cercamento do local”, relata.
As informações coletadas em campo serviram de base para a produção de conteúdo didático. O levantamento prático deu origem a um e-book técnico. Para ampliar o acesso e atingir os estudantes, o grupo recorreu à inteligência artificial para desenvolver um vídeo educativo complementar.
“Assim como pensamos nos jovens e adultos, pensamos também nas crianças”, pontua Camila Carvalho, integrante da equipe. A estratégia, segundo ela, foi criar uma base de educação ambiental voltada especificamente às novas gerações de Antônio João.
O prêmio estadual reconhece a evolução alcançada ao longo dos até nove meses de capacitação oferecida pelo Senar/MS. O programa gratuito, realizado em parceria com os Sindicatos Rurais, reúne alunos em aulas quinzenais sobre liderança e gestão no agronegócio, desafiando-os a estruturar soluções reais para o setor.
Além do impacto na comunidade, o processo de imersão alterou a postura dos próprios desenvolvedores do projeto. Raí Flores Aguiar admite que a experiência fez com que ele começasse a “olhar diferente para o meio ambiente”. Já Amanda ressalta que as idas a campo a impulsionaram a vencer a timidez e melhorar a comunicação com o público.
Para a equipe, a posição de destaque coroa o esforço de um grupo diverso voltado a uma pauta regional urgente. “Somos jovens com diferentes histórias, diferentes classes e idades, mas nos unimos em prol de um bem comum para nosso setor”, conclui Camila.
BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.



