Líderes de Estados Unidos e China trocam elogios em Pequim, mas evidenciam distanciamento em questões geopolíticas centrais
Pequim — A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China encerrou-se nesta sexta-feira (15) marcada por uma dualidade diplomática. Sob a superfície de banquetes oficiais e trocas públicas de afagos no Grande Salão do Povo, as duas maiores economias do mundo mantiveram impasses profundos, especialmente em relação à autonomia de Taiwan.
A cúpula bilateral, a segunda presencial em menos de um ano, produziu menos resultados práticos do que a reunião de outubro de 2025. O único avanço comercial de destaque anunciado por Trump foi o compromisso chinês de adquirir aviões americanos, acompanhado da projeção do republicano de que as nações terão um “futuro fantástico”.
A retórica otimista, no entanto, colidiu com a firmeza de Pequim nas conversas a portas fechadas. O presidente chinês, Xi Jinping, estabeleceu Taiwan como o principal ponto de atrito da relação, impondo uma linha vermelha: se a questão não for conduzida de maneira adequada, o cenário pode evoluir para um conflito direto.
A ilha asiática, reivindicada por Pequim como parte de seu território, recebe apoio bélico de Washington. A posição da Casa Branca foi reiterada horas após as reuniões pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. O diplomata classificou como um “erro terrível” qualquer tentativa chinesa de anexar a região à força, confirmando à rede NBC que os Estados Unidos manterão a postura de “ambiguidade estratégica” no trato com o governo chinês.
Apesar da tensão velada nas pautas de segurança, o esforço público para evitar o tom de ruptura dominou os discursos. Xi Jinping alertou para a chamada “armadilha de Tucídides” — conceito geopolítico que descreve o risco iminente de guerra quando uma potência em ascensão desafia a hegemonia estabelecida.
“Devemos ser parceiros, não rivais. Devemos ajudar uns aos outros a ter sucesso, prosperar juntos e encontrar a forma adequada para que grandes países convivam na nova era.”
O aceno histórico do líder chinês foi correspondido por um improviso de Trump. O americano elogiou a recepção e não poupou palavras ao se dirigir ao anfitrião. “Você é um grande líder. Digo isso a todo mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade”, afirmou.
Além da balança de poder na Ásia, o Oriente Médio consolidou-se como pauta de interesse mútuo. Com a guerra no Irã pressionando a geopolítica global, os governos concordaram sobre a urgência de reabrir o Estreito de Ormuz. Em um movimento estratégico para reduzir a dependência energética da produção árabe, Xi demonstrou interesse em importar petróleo dos Estados Unidos.
Nas garantias de segurança, Trump assegurou em entrevista à Fox News ter recebido a palavra de Xi de que Pequim não fornecerá “equipamentos militares” ao Irã. A questão nuclear, contudo, sequer chegou à mesa, evidenciando o caráter de contenção de danos de uma cúpula voltada a estabilizar a relação antes de resolver suas fraturas.
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