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Sábado, 30 de maio de 2026

EUA vão classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

MundoEUA vão classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Decisão do Departamento de Estado americano abre caminho para sanções financeiras severas e expõe atrito diplomático com o governo brasileiro

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (28) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passarão a figurar em suas listas oficiais de terrorismo internacional. A reclassificação formaliza um cerco financeiro e judicial contra as duas maiores facções brasileiras, enquadradas agora pelo Departamento de Estado como alvos de segurança nacional americana.

A ofensiva ocorre na esteira de encontros entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a cúpula da Casa Branca. Na terça-feira (26), o parlamentar reuniu-se com o presidente Donald Trump e, no dia seguinte, obteve sinalização favorável do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre o endurecimento contra as organizações criminosas de origem brasileira.

O aparato de sanções será ativado em duas frentes. Com efeito imediato, o PCC e o CV foram rotulados como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs), categoria operada em conjunto com o Departamento do Tesouro, focada no bloqueio imediato de bens e no asfixiamento econômico de integrantes e apoiadores. Em 5 de junho, a inclusão avança para a lista de “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs), o que estabelece uma base legal ampla para investigações e processos criminais em solo americano.

O Departamento de Estado justificou a medida apontando que os grupos estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”. O comunicado oficial ressalta que as facções “comandam milhares de integrantes” e conduzem “ataques brutais” contra agentes públicos e a população civil.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas.”

A declaração foi publicada por Rubio em suas redes sociais, endossando a diretriz oficial da administração republicana de “desmantelar cartéis e organizações criminosas” na região.

O movimento americano atropela a diplomacia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, o Palácio do Planalto tentou barrar a medida, que, segundo fontes governamentais, foi anunciada sem aviso prévio ao Brasil. A resistência federal fundamenta-se no temor de que a alcunha terrorista sirva de pretexto para ações unilaterais agressivas ou até mesmo condução de operações militares estrangeiras no território nacional.

A divergência conceitual entre Brasília e Washington arrasta-se há mais de um ano. Em maio de 2025, o Brasil negou um pedido direto de David Gamble, chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos EUA, para equiparar os grupos ao terrorismo. O então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, argumentou que o crime organizado nacional busca o lucro, carecendo das motivações políticas, raciais ou religiosas exigidas pela Lei Antiterrorismo brasileira sancionada em 2016.

Para a inteligência americana, no entanto, a fronteira puramente doméstica foi cruzada. O peso do PCC, estimado em mais de 40 mil filiados espalhados por 30 países, consolidou-o como um dos maiores grupos ilícitos das Américas. Autoridades federais rastrearam a operação da facção paulista em pelo menos seis estados americanos — Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut, Tennessee e Massachusetts, onde 18 brasileiros ligados ao grupo foram alvos de acusações formais no ano passado.

A consolidação definitiva do status de FTO depende de um trâmite legal que exige a comprovação do envolvimento ativo em ameaças à segurança dos cidadãos americanos, seguido de comunicação ao Congresso dos EUA, que tem sete dias para revisar a ordem. Uma vez oficializada no registro do governo, qualquer fornecimento de “apoio material” aos grupos — como armas, treinamento ou repasses financeiros — passará a ser crime federal, sujeitando os envolvidos à deportação e à recusa sistemática de vistos.


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