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Sábado, 16 de maio de 2026

Chanceler alemão desaconselha jovens a buscarem os EUA e reabre atrito com aliados de Trump

MundoChanceler alemão desaconselha jovens a buscarem os EUA e reabre atrito com aliados de Trump

Friedrich Merz critica “clima social” americano, mas tenta amenizar crise em ligação telefônica com o presidente dos Estados Unidos.

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, elevou a temperatura das relações transatlânticas nesta sexta-feira (15) ao declarar publicamente que não recomendaria aos próprios filhos que viajassem aos Estados Unidos para estudar ou trabalhar. A fala, proferida durante um debate com o público jovem, expõe o ceticismo da liderança europeia em relação à dinâmica cultural americana e provocou a reação imediata de aliados de Donald Trump.

O líder alemão embasou sua ressalva em uma avaliação severa do mercado de trabalho e da coesão da maior economia do mundo. Segundo Merz, o cenário deixou de ser promissor até mesmo para profissionais altamente qualificados. A crítica do chanceler também se estendeu ao modelo econômico norte-americano, contrapondo o que classificou como um “capitalismo puro” à necessidade de uma economia social de mercado mais equilibrada.

“Hoje, até as pessoas mais bem instruídas nos Estados Unidos estão enfrentando muita dificuldade em encontrar um emprego”, afirmou o chanceler. Ele ponderou que, embora seja um grande admirador dos norte-americanos, essa admiração não está crescendo no cenário atual.

A justificativa familiar que centralizou o discurso foi pontuada logo em seguida. “Hoje, eu não aconselharia meus filhos a irem para os EUA, estudarem lá ou trabalharem lá, simplesmente porque um certo clima social se instalou repentinamente no país”, ressaltou Merz, sob aplausos da plateia.

O contraste traçado pelo chanceler serviu para defender as qualidades de seu próprio país. Ele sustentou que existem poucos lugares no mundo que oferecem oportunidades tão consistentes para os jovens quanto a Alemanha, instando-os a adotarem uma postura mais otimista sobre o futuro local.

A declaração, no entanto, abriu um novo flanco de tensão com a órbita republicana em Washington. Richard Grennel, ex-embaixador americano em Berlim e conselheiro de política externa de Trump, utilizou a rede social X para rebater a avaliação. “Os alemães têm um líder que não tem estratégia – e é completamente controlado pela mídia woke alemã”, disparou Grennel.

O atrito diplomático não é um episódio isolado. No mês passado, Merz apontou a existência de uma fenda cultural fomentada pelo movimento conservador que apoia o presidente americano, e chegou a declarar que o Irã estaria humilhando os Estados Unidos nas negociações. Em retaliação direta à época, Trump acusou o líder alemão de fazer um péssimo trabalho e anunciou a retirada abrupta de cinco mil soldados de bases militares na Alemanha.

Apesar da escalada retórica em público, o governo em Berlim tentou administrar os danos institucionais. Merz fez questão de ressaltar que manteve uma boa conversa telefônica com o presidente americano após o retorno de Trump de uma viagem à China. No diálogo, o chanceler buscou reafirmar a solidez da aliança na Otan e alinhou o discurso geopolítico.

“Estamos de acordo: o Irã tem agora de se sentar à mesa das negociações. Tem que abrir o estreito de Ormuz. Teerã não deve possuir armas nucleares”, enfatizou o líder alemão, indicando que as parcerias estratégicas em segurança devem prevalecer sobre os recentes ruídos políticos.


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