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Sábado, 30 de maio de 2026

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Supremo mantém prisão preventiva de influenciadora investigada por lavagem de dinheiro

CrimeSupremo mantém prisão preventiva de influenciadora investigada por lavagem de dinheiro

Ministro Flávio Dino rejeitou concessão de liberdade de ofício a Deolane Bezerra, apontada como peça em esquema financeiro de facção

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a soltura da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, detida preventivamente desde a última quinta-feira (21). A defesa havia enviado uma reclamação à Corte máxima na tentativa de reverter a ordem de primeira instância, pleiteando a revogação da prisão, a conversão para regime domiciliar ou a aplicação de medidas cautelares alternativas. O magistrado, contudo, informou não constatar a presença de “ilegalidade” na decisão que determinou o encarceramento, o que inviabilizou qualquer intervenção extraordinária “de ofício”.

A ação penal contra a influenciadora decorre de uma ofensiva coordenada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, cujo objetivo é asfixiar o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação foi deflagrada a partir da interceptação de bilhetes entre líderes da facção, recolhidos na penitenciária de Presidente Venceslau. De acordo com as autoridades de segurança, embora a advogada não tenha sido formalmente “batizada” dentro da estrutura hierárquica da organização, ela cumpre um papel considerado vital.

O relatório policial que fundamentou o pedido de prisão aponta o uso massivo da imagem pública da acusada para camuflar capital ilícito, exercendo uma função “central”. Um trecho do documento enfatiza a gravidade da atuação: “Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa.”

Para os investigadores paulistas, a rotina de ostentação exibida nas redes sociais não era mero estilo de vida, mas uma engrenagem calculada para justificar o fluxo de caixa. “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”, afirmou o delegado responsável pelas apurações. Com base nisso, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 27 milhões das contas da empresária.

A influenciadora rejeita o envolvimento com o crime organizado e afirma que “a justiça vai ser feita”. Segundo a defesa, sua prisão ocorreu em decorrência do estrito exercício da advocacia, por ter recebido R$ 24 mil de um cliente a título de honorários. A corporação policial contrapõe a versão, destacando a ausência de prestação de serviços compatível com os altos montantes movimentados em suas empresas.

O cerco ao aparato financeiro não se restringiu à influenciadora. A operação também mirou o núcleo familiar da liderança máxima do PCC, incluindo o irmão e o sobrinho de Marcola, evidenciando o esforço do Estado para neutralizar a capacidade econômica do narcotráfico. A atual ofensiva também reacende o histórico da empresária, que em 2025 já havia sido alvo da Polícia Civil de Pernambuco sob suspeita de ocultar mais de R$ 65 milhões do setor de apostas online em bens de luxo.


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