Iniciativa gratuita capacita empresários locais e garante recorde de participação do estado em missão comercial na Colômbia
Campo Grande — O mercado externo, historicamente distante da realidade das pequenas agroindústrias, começa a integrar o plano de negócios de produtores de Mato Grosso do Sul. A aproximação é viabilizada pelo AgroBR, um programa da Confederação Brasileira da Agricultura e Pecuária (CNA) estruturado para preparar e inserir empresas rurais em cadeias globais de consumo.
No estado, a iniciativa funciona em parceria com o Sistema Famasul e tem o apoio do Sebrae e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O acompanhamento aos produtores é gratuito e ataca as principais barreiras comerciais: oferece desde o diagnóstico do potencial de exportação até consultorias técnicas, capacitações e presença em rodadas de negócios internacionais com serviço de tradução.
Os resultados já impactam diretamente o faturamento de marcas locais. A Tar & Tar, fabricante campo-grandense especializada em molhos e temperos, hoje opera no mercado dos Estados Unidos. Para o sócio-proprietário André Luiz Cavalcante, a barreira inicial era a própria descrença na capacidade de internacionalização. “A gente começou a acreditar mais no potencial do negócio porque exportação era um projeto muito distante da gente. No começo não acreditávamos, mas é possível e até que uma hora aconteceu”, afirmou.
As missões técnicas ao exterior funcionam como vitrine primária para os sul-mato-grossenses. Em uma ação recente em Xangai, na China, produtos brasileiros alcançaram exposição orgânica ao serem divulgados por influenciadores nas redes sociais asiáticas. A lógica de expansão se repetiu no Peru com a marca Pimenta da Serra, originária do município de Jardim.
O empresário Osmar Müller, que profissionalizou sua produção com o suporte do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS), testou a aceitação do mercado latino-americano de forma direta. “Dois chilenos provaram, acharam o aroma incrível, experimentaram um pouquinho e acabaram virando a garrafinha de amostra”, relatou. Durante a ação, Müller também abriu diálogo com importadores dominicanos e norte-americanos.
O foco em negociação imediata, porém, divide espaço com o planejamento estratégico. Para a empresa campo-grandense Kon Frutas, a participação na feira espanhola Fruit Attraction priorizou a inteligência de mercado. Segundo o sócio Alan Nunes, a viagem ao lado de Mika Kochiya serviu para mapear a regulamentação externa. “O objetivo era aprender com a experiência de mercado, conquistar parcerias e clientes, além de buscar conhecimento que fortaleça futuras negociações”, explicou Nunes, ressaltando o esforço para alinhar exigências e certificações sanitárias.
A percepção técnica do programa é de que a ausência de domínio burocrático trava bons produtos. A representante do AgroBR em Mato Grosso do Sul, Nathalia Alves, destacou que o produtor frequentemente detém uma mercadoria competitiva, mas carece de acesso e compreensão sobre os protocolos internacionais de venda.
O avanço local no setor terá uma nova marca entre os dias 7 e 13 de junho. Cinco empresas sul-mato-grossenses embarcam para a Feira Alimentec, na Colômbia. O contingente transformará o estado na unidade federativa com a maior representatividade comercial da missão brasileira no evento.
Para quem tenta romper a barreira doméstica, o suporte institucional dilui o risco operacional. Como resumiu o empresário Breno de Moraes sobre as mesas de negociação: “Sozinho não se chega a lugar nenhum”. As inscrições para produtores rurais interessados no programa continuam abertas e são gratuitas.
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