Programa une prefeitura, hospitais e bancada federal para tentar desafogar fila de cirurgias e exames especializados na capital sul-mato-grossense
A Prefeitura de Campo Grande oficializou na segunda-feira (25) uma força-tarefa para tentar reduzir o gargalo histórico na fila de espera por procedimentos médicos especializados. Com um aporte que ultrapassa os R$ 60 milhões, o programa batizado de Vira CG Saúde tem como meta viabilizar mais de 24 mil intervenções, divididas entre cirurgias, diagnósticos e exames complexos.
A ofensiva do Executivo municipal foi desenhada para atuar sobre a demanda reprimida em áreas críticas. O plano de execução, estruturado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), envolve uma operação conjunta que articula a estrutura pública, instituições filantrópicas, hospitais parceiros e recursos garantidos pela bancada federal de Mato Grosso do Sul.
Durante o anúncio, a prefeita Adriane Lopes tratou a medida como um destravamento logístico e financeiro na rede de atendimento. “O Vira CG Saúde representa o destravamento de um compromisso que assumimos com a nossa população: enfrentar as filas, ampliar os atendimentos e garantir dignidade para quem mais precisa”, declarou a chefe do Executivo.
A matemática do programa já tem alvos definidos. O cronograma inicial pactuou a realização de 8.460 cirurgias, que abrangem desde intervenções ortopédicas e oftalmológicas até procedimentos vasculares, bariátricos e de oncologia. Outros 16.855 atendimentos serão destinados à frente de exames e diagnósticos, cobrindo demandas como ressonâncias magnéticas, tomografias, biópsias de próstata e avaliações neuropsicológicas.
O volume de intervenções reflete não apenas o tamanho da capital, mas a sua posição como polo regional de saúde. A estrutura campo-grandense absorve rotineiramente pacientes de municípios do interior, além de moradores de estados e países vizinhos. Para Adriane Lopes, esse cenário de pressão constante exige expansão permanente. “É fazendo o certo que a gente traz resultado”, resumiu a prefeita ao comentar os desafios de absorção da rede.
A execução do mutirão, contudo, já estava em curso nos bastidores antes do lançamento formal. Hospitais como o São Julião começaram a adiantar avaliações pré-operatórias e cirurgias oftalmológicas. Na Maternidade Cândido Mariano, crianças que aguardavam cirurgias começaram a ser chamadas, enquanto o Hospital do Câncer e a Funcraf deram início a sessões de radioterapia e avaliações especializadas.
Essa antecipação atende a um critério técnico, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. A modelagem do mutirão priorizou as áreas de maior criticidade. “A saúde pública exige planejamento, organização e responsabilidade na execução”, pontuou o secretário, indicando que a continuidade do programa dependerá de monitoramento técnico da capacidade estrutural da rede.
A viabilização financeira do pacote dependeu diretamente da articulação política em Brasília. O alinhamento entre a gestão municipal e o Congresso Nacional foi o eixo para destravar parte das verbas. A senadora Tereza Cristina defendeu a necessidade de flexibilizar processos tradicionais em nome do resultado prático. “Às vezes a gente precisa pensar fora da casinha e fazer o que precisa para trazer resultados”, argumentou a parlamentar.
O senador Nelsinho Trad endossou o movimento, apontando que a crise na saúde pública exige pragmatismo para superar divisões eleitorais. “Eu não vou dar a mão para partido político, vou dar a mão para Campo Grande. Nós precisamos enfrentar os problemas e ajudar a resolver”, sustentou.
No âmbito estadual, o secretário de Saúde, Maurício Simões, avaliou que a dimensão do gargalo médico impede atuações isoladas. Para ele, o mutirão lançado na capital evidencia que estancar o crescimento das filas e ampliar os atendimentos passa, inevitavelmente, por investimentos unificados entre poder público e iniciativa filantrópica.
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