O cantor Ney Matogrosso revelou, durante entrevista ao Intelecto Podcast, um episódio envolvendo uma tentativa de acesso a recursos por meio da Lei Rouanet que, segundo ele, foi prontamente recusada. O relato evidencia uma postura de distanciamento em relação a práticas que pudessem comprometer sua autonomia artística e sua integridade pessoal ao longo da carreira.
De acordo com o artista, a situação ocorreu no Rio de Janeiro, quando foi orientado por um intermediário, identificado como filho de um ministro, de que poderia obter cerca de R$ 200 mil por meio do mecanismo de incentivo cultural. No entanto, a proposta incluía a exigência de repasse de aproximadamente 10% do valor como contrapartida informal.
Ao descrever o momento, Ney afirmou que não compreendeu inicialmente a abordagem, mas recusou a proposta assim que identificou a natureza da negociação. Segundo ele, não houve qualquer interesse em dar continuidade à tratativa.
“Ele disse que poderia conseguir o valor, mas que uma parte ficaria com ele. Eu agradeci e saí. Não quis me envolver com isso”, relatou o cantor durante a entrevista.
Ainda na conversa, o artista destacou que nunca utilizou recursos públicos oriundos da Lei Rouanet em sua trajetória musical, reforçando que sempre optou por manter independência em relação a mecanismos estatais de financiamento.
Ney Matogrosso também enfatizou que preza pela preservação de seu nome e reputação, evitando qualquer associação com práticas que possam levantar questionamentos sobre sua conduta. Ao longo de décadas de carreira, construiu uma imagem marcada pela autonomia artística e por decisões alinhadas à sua própria convicção.
O episódio relatado pelo cantor traz à tona questionamentos recorrentes sobre a operacionalização de mecanismos de incentivo cultural no país, especialmente no que se refere à atuação de intermediários e à transparência na destinação de recursos.

