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Domingo, 10 de maio de 2026

Operação OncoJuris expõe suposto esquema milionário na saúde pública de Mato Grosso do Sul

CrimeOperação OncoJuris expõe suposto esquema milionário na saúde pública de Mato Grosso do Sul

A deflagração da operação Operação OncoJuris nesta quinta-feira (23) trouxe à tona um esquema que pode ter desviado milhões de reais da saúde pública em Mato Grosso do Sul. A investigação aponta para um sistema estruturado que utilizava decisões judiciais para obrigar o Estado a custear medicamentos de alto valor, principalmente voltados ao tratamento oncológico.

Entre os alvos da operação estão os advogados Altair Malhada e Victor Guilherme Lezo, presos em Campo Grande. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão nos estados de MS, SP e MG.

Como funcionava o esquema

De acordo com as autoridades, o grupo operava com divisão clara de funções, o que reforça a suspeita de organização criminosa altamente estruturada:

  • Núcleo administrativo: responsável por manipular orçamentos e direcionar recursos públicos;
  • Núcleo jurídico: atuava na inserção de empresas específicas em processos judiciais, garantindo decisões favoráveis;
  • Núcleo empresarial: composto por intermediárias sem estrutura real, usadas para inflar contratos;
  • Núcleo de importação: realizava a compra de medicamentos no exterior por valores muito inferiores aos cobrados do Estado.

A engrenagem funcionava principalmente por meio da chamada “judicialização da saúde” — mecanismo legítimo quando usado corretamente, mas que, segundo a investigação, teria sido distorcido para viabilizar o esquema. Decisões judiciais obrigavam o poder público a adquirir medicamentos com valores superfaturados, gerando margem para desvio de recursos.

Grande parte do dinheiro público, conforme apurado, era direcionada a contratos fictícios classificados como “serviços de assessoria”, o que levanta suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Riscos à população

Outro ponto grave revelado pela operação envolve indícios de fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa. Além disso, falhas no transporte e armazenamento desses produtos podem ter comprometido sua eficácia e segurança, colocando pacientes em situação de risco — especialmente aqueles em tratamento contra o câncer, que dependem de medicamentos rigorosamente controlados.

Reação das autoridades

A OAB-MS informou, por meio de nota, que acompanha o caso e adotará todas as medidas cabíveis dentro de suas atribuições institucionais.

Já o governo estadual declarou que está colaborando com as investigações e reforçou o compromisso com a transparência e o uso correto dos recursos públicos, embora o caso levante questionamentos sobre possíveis falhas de controle interno.

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