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Domingo, 10 de maio de 2026

Plano de Trump para punir a Otan inclui remoção de tropas e críticas à Groenlândia

GuerraPlano de Trump para punir a Otan inclui remoção de tropas e críticas à Groenlândia

Após reunião na Casa Branca, presidente americano endurece tom contra aliados por falta de apoio bélico na guerra contra o Irã

Washington — A insatisfação do presidente americano Donald Trump com o nível de apoio da Otan na guerra contra o Irã escalou de forma drástica nesta quarta-feira (8). Após um encontro a portas fechadas com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, a Casa Branca sinalizou a intenção de retaliar países europeus com a reestruturação de tropas e o fechamento de bases continentais.

A tensão diplomática ganhou contornos públicos logo em seguida. Em publicação na rede Truth Social, o presidente questionou a lealdade estrutural do bloco. Nas palavras de Trump, “a Otan não estava lá quando precisamos deles — e não estará se precisarmos novamente”. Ele ainda aproveitou para direcionar críticas territoriais de longa data, referindo-se à Groenlândia como “aquele grande pedaço de gelo mal administrado!!!”.

O desgaste tem como epicentro a ofensiva militar americana no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro. Poucas horas antes de Rutte entrar no Salão Oval, a secretária de imprensa da presidência, Karoline Leavitt, declarou que a organização virou as costas para os Estados Unidos nas últimas seis semanas de conflito.

“Eles foram postos à prova e falharam”, resumiu Leavitt, reproduzindo a avaliação direta do líder americano. A porta-voz argumentou ser “bastante triste” a ausência de apoio europeu, ressaltando que são justamente os contribuintes americanos que financiam majoritariamente a defesa do bloco.

A retaliação de Washington já começa a ganhar forma executiva. De acordo com reportagem do jornal The Wall Street Journal, o governo prepara um rearranjo de suas forças no exterior para punir as nações consideradas “prejudiciais” aos interesses do país. A estratégia envolve transferir militares de nações críticas para aquelas que apoiaram ativamente as operações militares, com Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia despontando como possíveis destinos.

O enxugamento pode atingir estruturas históricas. O plano prevê o encerramento de pelo menos uma grande base militar dos Estados Unidos na Europa, tendo instalações na Espanha ou na Alemanha como alvos prováveis.

Do lado europeu, a tentativa é estritamente de controle de danos. Mark Rutte, que mais cedo havia se reunido com o secretário de Estado Marco Rubio para tratar também da Ucrânia, tentou amenizar o tom. Em entrevista à CNN Internacional, o secretário-geral classificou o diálogo com Trump como “franca e aberta” e defendeu os esforços da aliança.

“Pude destacar que a grande maioria dos países europeus têm colaborado com bases, logística, sobrevoos”, sustentou Rutte.

A aliança militar, criada em 1949 e hoje composta por mais de 30 nações, tem o poder bélico americano como seu pilar de sustentação. A histórica cobrança de Trump por maior divisão de custos já havia forçado o bloco a aprovar em 2025 um aumento significativo nos gastos de defesa. Agora, no entanto, a exigência transcende a esfera orçamentária e entra no campo da lealdade operacional imediata.

As pressões sobre os aliados europeus ocorrem no respiro de uma pausa tática. A guerra contra o Irã encontra-se temporariamente suspensa após a declaração de uma trégua na terça-feira (7). O hiato no campo de batalha, contudo, transfere o foco do conflito para as mesas de negociação, testando até que ponto os Estados Unidos estão dispostos a esvaziar a maior aliança militar do ocidente.


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