Droga estava em bunker sob cisterna e foi encontrada por cão farejador; operação também apreendeu fuzis e recuperou veículos
A Polícia Militar encontrou por acaso nesta terça-feira (7) cerca de 48 toneladas de maconha escondidas em um galpão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A corporação afirma tratar-se da maior apreensão de drogas já realizada desde a sua fundação.
O flagrante ocorreu durante uma operação na comunidade da Nova Holanda. Segundo a corporação, o endereço não constava como alvo prévio da ação. Equipes realizavam patrulhamento quando passaram em frente ao galpão. Ao percorrerem o entorno, os cães farejadores sinalizararam o local.
O protagonista da descoberta foi Huck, um pastor-belga-malinois de 5 anos, nascido e treinado no Batalhão de Ações com Cães (BAC). O animal indicou insistentemente um ponto específico do depósito, motivando o vasculhamento pelos policiais. Dentro do espaço, os agentes se depararam com uma cisterna concretada e aparentemente desativada. Ao quebrarem a estrutura, localizaram um bunker improvisado que armazenava mais de 24,6 mil tabletes de maconha, pesando cerca de 2 quilos cada.
“É uma apreensão impressionante. Nunca se apreendeu uma quantidade tão grande de drogas em um local de venda e distribuição dentro de comunidade. Existe uma dificuldade enorme de chegar a esses esconderijos, e isso só foi possível graças ao faro do cão.”
A declaração foi feita pelo tenente-coronel Luciano Pedro Barbosa da Silva, comandante do BAC, que ressaltou a eficiência do treinamento animal. “O cão é treinado para encontrar droga em qualquer ambiente. Não importa se está enterrada, concretada ou até submersa. Se houver odor, ele vai achar”, explicou o oficial. Nas palavras dele, mesmo com a cisterna totalmente fechada em concreto, o cão detectou o cheiro.
A logística para retirar a carga exigiu esforço considerável. Foram necessários quatro caminhões do BAC completamente carregados. A operação de retirada começou por volta das 13h de terça-feira e só foi concluída de madrugada. A contagem do material se estendeu por horas, finalizando apenas por volta das 3h desta quarta-feira. Todo o entorpecente foi encaminhado para a Cidade da Polícia, no Jacaré, para perícia da Polícia Civil e posterior incineração.
A PM trabalha com a hipótese de que o galpão funcionava como um ponto estratégico de distribuição do Comando Vermelho. A suspeita é de que o montante seria enviado para outras áreas sob domínio da facção criminosa. Se convertida em cigarros, a quantidade equivaleria a mais de 15 milhões de unidades.
A operação mobilizou cerca de 250 policiais de diferentes unidades, incluindo o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), com o suporte de seis cães, quatro blindados e duas aeronaves. Durante a ação, criminosos atacaram as equipes a tiros. Houve confronto, resultando em um homem ferido, que foi encontrado portando um fuzil e levado sob custódia para o Hospital Federal de Bonsucesso. O saldo da operação incluiu ainda a apreensão de cinco fuzis e a recuperação de 26 veículos roubados.
Esta não é a primeira grande ação com a participação do cão farejador. Em 2023, Huck já havia localizado 1 tonelada de drogas na mesma comunidade da Nova Holanda.
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