Movimentações de Caiado, Moro, Tebet e Pacheco alteram peso das alianças para outubro; PL sai fortalecido na Câmara após atrair dezenas de parlamentares
O encerramento do prazo legal de filiação e desincompatibilização no início de abril consolidou uma ampla reconfiguração das forças políticas para o pleito de outubro. A movimentação registrada na última janela partidária envolveu pré-candidaturas de impacto ao Palácio do Planalto, aos governos estaduais e ao Congresso, redefinindo estratégias tanto no arco de alianças do governo federal quanto na oposição.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializou sua saída do União Brasil rumo ao PSD. A transição visa pavimentar sua corrida à Presidência da República — espaço que enfrentava resistência em sua legenda anterior. O novo arranjo foi sacramentado após a desistência de Ratinho Junior no PSD, permitindo que Caiado inicie sua pré-campanha acenando ao eleitorado conservador com a promessa de anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No espectro governista, a base do presidente Lula atuou ativamente para realocar peças no Sudeste. O senador Rodrigo Pacheco trocou o PSD pelo PSB com o objetivo de disputar o governo de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. A permanência no antigo partido se tornou inviável porque o atual governador mineiro, Mateus Simões, é apontado como o candidato natural de seu próprio grupo político.
Ainda na órbita de influência direta do Planalto, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, encerrou três décadas de filiação ao MDB para ingressar no PSB. Ela deve concorrer a uma vaga ao Senado por São Paulo em aliança com o PT. A costura foi conduzida por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, aproveitando a projeção que a ministra sul-mato-grossense obteve no eleitorado paulista em 2022.
O retorno ao cenário de disputas regionais também pautou as trocas na centro-direita e direita. O senador Sergio Moro mudou do União Brasil para o PL, reaproximando-se do bolsonarismo para oficializar a intenção de disputar o governo do Paraná. A chapa deverá incluir o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. No Nordeste, o ex-ministro Ciro Gomes deixou o PDT após os atritos com a aliança petista local e filiou-se ao PSDB para tentar novamente o governo do Ceará, cargo que exerceu nos anos 1990.
As filiações estratégicas também fortaleceram os quadros do PT junto a lideranças antes associadas a outros campos políticos. A ex-senadora Kátia Abreu deixou o PP para ingressar na sigla no Tocantins, justificando o gesto como um movimento de apoio à reeleição de Lula. Na mesma toada, a senadora maranhense Eliziane Gama deixou o PSD para buscar sua reeleição ao Congresso Nacional com a camisa petista, alegando que o seu partido anterior adotou um “novo caminho político” com o qual discordava.
Na Câmara dos Deputados, a janela permitiu a desfiliação livre de sanções de ao menos 37 parlamentares. O principal beneficiado foi o PL de Jair Bolsonaro, que ganhou o reforço de doze novos nomes — grande parte deles absorvida do União Brasil. A agremiação de centro-direita perdeu onze deputados federais, provocando forte desgaste entre as cúpulas partidárias diante da perda de nomes de peso das comissões do Congresso.
Lista de migrações partidárias consolidadas
- Ronaldo Caiado: União Brasil ➔ PSD
- Simone Tebet: MDB ➔ PSB
- Sergio Moro: União Brasil ➔ PL
- Rodrigo Pacheco: PSD ➔ PSB
- Ciro Gomes: PDT ➔ PSDB
- Kátia Abreu: PP ➔ PT
- Eliziane Gama: PSD ➔ PT
- Efraim Filho: União Brasil ➔ PL
- João Henrique Caldas (JHC): PL ➔ PSDB
- Soraya Thronicke: Podemos ➔ PSB
- Luizianne Lins: PT ➔ Rede Sustentabilidade
- Túlio Gadêlha: Rede Sustentabilidade ➔ PSD
- Duda Salabert: PDT ➔ PSOL
- Kim Kataguiri: União Brasil ➔ Missão
- André Janones: Avante ➔ Rede Sustentabilidade
- Rosangela Moro: União Brasil ➔ PL
- Dani Cunha: União Brasil ➔ PL
- Nelson Padovani: PL ➔ Republicanos
- Mendonça Filho: União Brasil ➔ PL
- Alfredo Gaspar: União Brasil ➔ PL
- Rodrigo Valadares: União Brasil ➔ PL
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