O secretário de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miglioli, deverá oficializar nesta terça-feira, dia 31 de março, sua saída do comando da pasta em um movimento que, embora institucionalmente discreto, carrega um caráter eminentemente pessoal. A decisão, segundo interlocutores próximos, não decorre de qualquer ruptura política ou administrativa, mas sim de uma escolha íntima de reorientação de prioridades neste momento de sua trajetória.
Miglioli encerra sua passagem pela Secretaria com um legado técnico consistente, marcado por entregas estruturantes e uma condução pautada pela eficiência e pela previsibilidade — atributos cada vez mais escassos na administração pública contemporânea. Sua atuação à frente da pasta consolidou sua imagem como gestor de perfil técnico, avesso a improvisações e comprometido com resultados tangíveis.
Apesar do afastamento do cargo, o secretário permanecerá plenamente inserido no núcleo político liderado pela senadora Tereza Cristina e pela prefeita Adriane Lopes, mantendo-se como peça ativa no grupo para o que for necessário. Nos bastidores, a sinalização é clara: não há distanciamento, mas sim uma reconfiguração momentânea de atuação, preservando lealdade, alinhamento ideológico e disposição para contribuir com o projeto político em curso.


A decisão de Miglioli também envolve um retorno às suas origens profissionais, com foco na continuidade de sua formação e no aprofundamento de sua base técnica — movimento que reforça ainda mais o perfil de um quadro que sempre transitou com naturalidade entre a engenharia e a gestão pública.
No campo político, embora não haja qualquer movimentação formal neste momento, seu nome segue naturalmente presente nas rodas mais criteriosas da direita sul-mato-grossense. Em especial, dentro dos grupos da chamada direita racional, seu nome continua a circular com força quando se projeta cenários futuros, inclusive sendo reiteradamente lembrado para uma eventual disputa ao Senado Federal. Ainda que haja, nos bastidores, acordos partidários já delineados que, em tese, não contemplariam essa possibilidade neste momento, a insistência de parte expressiva desses grupos evidencia o reconhecimento de sua densidade política.
A combinação entre votação expressiva em disputas anteriores, reconhecida capacidade técnica e uma trajetória imune a escândalos ou controvérsias o mantém como uma figura de respeito e consideração entre aqueles que defendem uma política mais racional, responsável e orientada por resultados.
Assim, sua saída da Secretaria não representa um afastamento do cenário público, mas sim uma pausa estratégica, pautada por razões pessoais, que preserva intacto seu capital político e sua inserção em um dos grupos mais relevantes do Estado.

