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Quarta-feira, 20 de maio de 2026

DC substitui Aldo Rebelo e lança Joaquim Barbosa à Presidência

BrasilDC substitui Aldo Rebelo e lança Joaquim Barbosa à Presidência

Ex-ministro do STF assume posto de pré-candidato após crise interna na legenda; Rebelo classifica manobra como “afronta” e promete manter campanha.

O partido Democracia Cristã (DC) oficializou a pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa à Presidência da República, marcando uma reconfiguração abrupta no planejamento eleitoral da legenda. A decisão, formalizada no último sábado (16), escanteia a postulação de Aldo Rebelo, que até então figurava como o nome da sigla para o pleito de 2026.

A transição de poder interno provocou atritos imediatos na cúpula. A confirmação, assinada pelo presidente nacional do DC, João Caldas, ocorreu no rastro de críticas duras disparadas por Rebelo. Em manifestação divulgada horas antes do anúncio oficial, o ex-deputado classificou a movimentação de bastidores como um “balão de ensaio” e uma “afronta” às suas convicções políticas, garantindo que não pretende recuar.

“Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos”, sustentou Rebelo. O político defendeu sua permanência na corrida presidencial ancorando-se no que chamou de experiência na administração pública e no Congresso Nacional, além de ressaltar a posse de uma biografia “sem mácula”.

Para conter a crise e justificar a manobra, o comando da sigla adotou um discurso pautado na ideia de reconstrução institucional. João Caldas utilizou a nota oficial do partido para enfatizar que a conjuntura atual demanda “união, propósito e desprendimento”. Em um recado velado ao correligionário insatisfeito, o dirigente argumentou que “o Brasil está acima de projetos pessoais”.

O documento que chancelou a escolha por Barbosa apela diretamente à imagem de retidão associada ao jurista no imaginário público. A direção partidária declarou que a trajetória do ex-presidente do STF honra princípios republicanos e dialoga com o anseio de renovação exigido pela sociedade. “O Brasil urge. O povo brasileiro merece um novo capítulo em sua história”, destacou o comunicado.

A entrada oficial do magistrado no xadrez eleitoral encerra um longo ciclo de especulações e ensaios frustrados. Indicado para a Suprema Corte em 2003, o jurista alcançou notoriedade nacional durante a relatoria do processo do Mensalão. Em 2012, quebrou uma barreira histórica ao se tornar o primeiro ministro negro a assumir a presidência do tribunal, cargo que ocupou até sua aposentadoria em 2014.

Ao longo da última década, Barbosa dedicou-se exclusivamente à advocacia privada. O ex-ministro chegou a ser cogitado como potencial concorrente em disputas eleitorais passadas, mas invariavelmente abdicou da corrida antes do início oficial das campanhas. Desta vez, alçado pelo DC sob a promessa de pacificação, Barbosa tenta converter seu capital jurídico em viabilidade política para o Palácio do Planalto.


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