A operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada nesta terça-feira (12) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, provocou forte repercussão política em Campo Grande e resultou em exonerações tanto no Governo do Estado quanto na Prefeitura da Capital.
A investigação apura supostas irregularidades em contratos milionários de tapa-buracos e manutenção asfáltica firmados entre os anos de 2018 e 2025, envolvendo servidores públicos, empresários e agentes ligados à gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad.
Entre os principais alvos da operação está o então diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Rudi Fiorese, preso durante a ação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). Após a prisão, o governador Eduardo Riedel determinou sua exoneração imediata do cargo.
Em nota oficial, o Governo de Mato Grosso do Sul afirmou que as investigações têm relação com contratos firmados no período em que Fiorese atuava como secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, ainda na administração anterior. O Estado ressaltou que a atual estrutura do governo não é alvo da operação e informou colaboração total com as autoridades.
A prefeita Adriane Lopes também anunciou o afastamento e exoneração dos servidores municipais investigados no caso. Segundo a administração municipal, os contratos sob investigação tiveram origem ainda em 2017 e pertencem à estrutura administrativa herdada da gestão passada.
De acordo com o Ministério Público, a operação investiga um suposto esquema de fraudes em medições de obras, pagamentos por serviços parcialmente executados e possíveis desvios de recursos públicos destinados à manutenção das vias da Capital.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande. Durante as diligências, investigadores apreenderam aproximadamente R$ 429 mil em dinheiro vivo, além de documentos, celulares e materiais considerados relevantes para a continuidade das investigações.
As apurações também apontam que empresas investigadas movimentaram contratos e aditivos que ultrapassam R$ 113 milhões ao longo dos últimos anos.
A operação aumentou a pressão sobre integrantes ligados à antiga administração municipal e reacendeu o debate sobre fiscalização de contratos públicos envolvendo infraestrutura urbana em Campo Grande.
Enquanto o Ministério Público avança nas investigações, Governo do Estado e Prefeitura buscam demonstrar resposta rápida diante da crise, adotando exonerações imediatas e reforçando compromisso com transparência e apuração dos fatos.

