Victor Sedlmaier, alvo da Operação Compliance Zero, foi deportado e detido em Guarulhos após acionamento da Interpol
A Polícia Federal cumpriu neste sábado (16) o mandado de prisão contra Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante de um grupo especializado em crimes cibernéticos que atuava em benefício de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Foragido desde a última quinta-feira (14), o suspeito foi localizado no aeroporto de Dubai e imediatamente deportado ao Brasil.
A captura ocorreu no escopo da sexta fase da Operação Compliance Zero. O retorno compulsório de Sedlmaier terminou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde ele desembarcou no fim da tarde. A agilidade da prisão resultou de um alerta direto da PF via Interpol. Em nota, a corporação informou que a cooperação internacional culminou “na não admissão do investigado e em sua imediata deportação ao Brasil”.
As investigações apontam Sedlmaier como engrenagem central de um esquema tecnológico criminoso. Ele faria parte do núcleo “Os Meninos”, liderado por David Henrique Alves, que permanece foragido. O grupo executava, segundo inquérito policial, invasões telemáticas e derrubada de perfis. Em depoimento anterior à deflagração da prisão, o hacker tentou minimizar seu papel, alegando que prestava serviços de “conserto de computadores” e “desenvolvimento de software de inteligência artificial”.
Os desdobramentos judiciais, contudo, indicam atuação direta na ocultação de provas. A Polícia Federal acusa o suspeito de esvaziar o apartamento do líder do grupo em 5 de março, exatas 24 horas após a fase anterior da operação ter levado Vorcaro à cadeia. Para os investigadores, a ação serviu para blindar o esquema.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), referendou a gravidade da manobra. O magistrado escreveu que o esvaziamento do imóvel indica um “contexto objetivamente compatível com a desmobilização do imóvel, retirada de objetos de interesse investigativo e possível supressão de elementos probatórios”.
A situação jurídica do investigado se agravou ainda mais pelo uso de uma identidade adulterada. Durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal no início de março, um veículo operado pela organização criminosa foi inspecionado. No interior do carro, agentes localizaram um documento falso contendo a fotografia de Sedlmaier atrelada a outro nome. A descoberta materializa, segundo o pedido de prisão feito pela PF, o suporte contínuo à atividade criminosa e ao “contexto de fuga”.
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