-- Localizando… | BTC -- USD / R$ -- USDR$ -- EURR$ --
Terça-feira, 2 de junho de 2026

Comissão do Senado debate marco legal para minerais críticos com foco na atração de investimentos

BrasiliaComissão do Senado debate marco legal para minerais críticos com foco na atração de investimentos

Audiência conduzida por Tereza Cristina aponta urgência de segurança jurídica no setor e expõe preocupações do mercado com novos conselhos governamentais

Brasília — A corrida global pelo domínio de minerais essenciais à tecnologia e o papel estratégico do Brasil nesse tabuleiro pautaram as discussões da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado nesta terça-feira. Durante a audiência pública, parlamentares, diplomatas e representantes do setor produtivo convergiram sobre a necessidade de um marco regulatório transparente, capaz de atrair capital estrangeiro e impulsionar a industrialização nacional.

O debate, requisitado e conduzido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), detalhou o peso econômico de ativos como lítio, nióbio, grafita, cobalto e terras-raras. Estes elementos formam a espinha dorsal das cadeias globais de inteligência artificial, indústria de defesa e tecnologias atreladas à transição energética. Detentor da segunda maior reserva de terras-raras do mundo, o país busca estruturar sua atividade extrativista para não se limitar à condição de mero fornecedor primário.

Duas propostas principais ancoram as tratativas no Congresso: o Projeto de Lei 2.780/2024, enviado recentemente pela Câmara dos Deputados, e o PL 4.443/2025, focado em instituir a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Ambas as matérias objetivam estimular o processamento local, forçando a agregação de valor às matérias-primas no mercado interno.

Na avaliação de Tereza Cristina, o Legislativo carrega a responsabilidade de alinhar a nova legislação aos interesses estruturais da economia brasileira, atraindo a iniciativa privada sem abdicar da soberania do Estado. A senadora enfatizou que “o verdadeiro desafio consiste em construir instituições, políticas públicas e marcos regulatórios capazes de transformar o potencial em oportunidades concretas para a sociedade brasileira”.

O ambiente de negócios e a viabilidade dos investimentos privados, contudo, esbarram no desenho administrativo previsto nos textos. O PL 4.443/2025 sugere a criação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), estrutura que ficaria vinculada diretamente à Presidência da República. Marisa Cesar, executiva da Associação de Minerais Críticos (AMC), alertou que o mercado enxerga com apreensão a falta de clareza prévia sobre os critérios operacionais e regulamentações do órgão, fatores que afetam gravemente a segurança jurídica e a injeção de capital estrangeiro.

As ressalvas do setor produtivo sobre o conselho encontraram eco na fala do senador Esperidião Amin (PP-SC), relator da pauta na Comissão de Assuntos Econômicos. Embora tenha se declarado favorável à estratégia de “não exportação da matéria prima”, o parlamentar questionou a subordinação e o formato de gestão do colegiado governamental, exigindo que os atos do Cimce passem por um esquema direto de prestação de contas e escrutínio do Congresso Nacional.

O estímulo à intervenção direta do Estado para blindar o setor produtivo foi defendido pela ala diplomática. O embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, ilustrou a assimetria geopolítica da área lembrando que a China detém o controle global de 80% das terras-raras. O representante sugeriu que o Brasil passe a sobretaxar a exportação de minérios não beneficiados e obrigue investimentos em pesquisa local, citando o governo da Indonésia — que proibiu a remessa de níquel bruto para atrair montadoras de baterias ao seu território — como um caso de sucesso aplicável ao cenário brasileiro.


BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.

Veja também

Explore outras tags:

Os mais populares