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Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Atendimento rural do Senar quebra ciclo de isolamento em assentamento de Jaraguari

Mato Grosso do SulAtendimento rural do Senar quebra ciclo de isolamento em assentamento de Jaraguari

Ação focada em acolhimento humanizado mobiliza 140 mulheres e evidencia impacto da atenção primária além da clínica

Jaraguari — A rotina de distanciamento que marcou os últimos anos da produtora rural Nair Barbosa foi interrompida por uma intervenção que transcende a medição de sinais vitais. No assentamento Estrela, interior de Mato Grosso do Sul, o programa Saúde no Campo, gerido pelo Senar/MS, converteu uma visita de rotina em um resgate social e de saúde mental.

Conhecida na comunidade pela mesa farta e pelo café sempre pronto, Nair carregava o costume de cuidar de quem a cercava. “Isso vem de família, a gente ser hospitaleiro”, afirma. O cenário mudou após o luto pela perda de uma amiga próxima, o que esvaziou a casa e impôs um quadro de desânimo severo à produtora, paralisando até mesmo atividades rotineiras do campo.

“Eu fiquei bastante triste, chorosa. Na realidade, eu perdi a vontade de viver”, relata Nair. A reversão desse quadro teve início quando a técnica de saúde rural Gláucia Villany, vinculada à Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS, realizou o primeiro atendimento na propriedade.

O contato clínico rapidamente tornou-se um espaço de escuta ativa. A presença da profissional preencheu uma lacuna de convivência que o isolamento geográfico costuma agravar. Segundo a produtora, o fato de encontrar alguém disposto a dialogar sem pressa alterou drasticamente sua perspectiva. “Para mim, foi um divisor de águas; ela chegou e me mostrou que valia a pena eu continuar vivendo”, relembra.

Para Villany, a dinâmica no campo exige sensibilidade às dores invisíveis dos moradores. “Eu conseguia ver que eu poderia fazer a diferença não só no atendimento clínico, mas também no atendimento humanizado”, explica a técnica. Ao identificar que a demanda principal de Nair era por suporte emocional, a abordagem foi ajustada. “O remédio naquele momento não era físico, era para a alma e o coração.”

O impacto individual na propriedade de Nair gerou um movimento coletivo estruturado. Para estender o acolhimento, a técnica organizou a “Caminhada das Estrelas”, iniciativa que reuniu cerca de 140 mulheres da comunidade e de assentamentos vizinhos, reestabelecendo laços rompidos há quase uma década na região.

Hoje, sob acompanhamento mensal em domicílio, Nair adotou novos hábitos preventivos sob a insistência da profissional, incluindo a melhora na hidratação diária. “Eu não tomo água, não gosto de água. Ela pediu que eu colocasse limão e mudasse o sabor para que eu pudesse tomar mais”, detalha a produtora, que celebra a conveniência e o afeto da visita regular.

“Eu não preciso mais me deslocar daqui para lugar nenhum. Ela averigua a minha pressão e conversa comigo, que é o mais importante”, conclui Nair.


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