O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, confirmou na noite de domingo (25) a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. Com 99,9% dos votos válidos apurados e votação nominal superior a 64 milhões, Lula foi declarado o 40º presidente da República Federativa do Brasil, com mandato a partir de 5 de janeiro de 2027.
Nunes Marques afirmou ter telefonado aos dois candidatos ao fim da apuração. "Ao Presidente Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por sua participação em mais este processo democrático e pela vitória nas urnas", disse o ministro, ao lembrar que Lula disputou oito eleições presidenciais e venceu quatro delas, contando a atual.
Ao segundo colocado, o presidente do TSE reservou outro tom. "Ao candidato Flávio Bolsonaro, que pela primeira vez disputou a eleição presidencial e conquistou votação expressiva, parabenizo pela campanha", declarou.
Parte do discurso de Nunes Marques tratou da prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu o encerramento das urnas até as 19h — duas horas além do previsto. A decisão atendeu a um pedido da coligação de Lula (PT), que pediu liminar de urgência alegando problemas no transporte público em municípios afetados.
O presidente do TSE afastou qualquer crítica à decisão judicial, mas buscou explicar por que levou horas para executá-la. "Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, ela tem que ser calculada e estruturada", afirmou, acrescentando que a medida "não é uma decisão convencional, não é uma decisão que apenas se abre o contraditório".
Segundo Nunes Marques, a ordem de Zanin foi proferida após as 17h, quando milhares de urnas no país já estavam encerradas e sua programação impedia reabertura. O TSE precisou bloquear o recebimento dos boletins de urna para garantir que as informações neles contidas não circulassem — nem mesmo dentro do próprio tribunal.
"Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral."
O ministro destacou que nunca, na história do TSE, houve prorrogação semelhante. "Não seria possível em poucas horas construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advindo de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração", justificou.
Mesmo com a instabilidade na reta final da votação, a equipe técnica do tribunal conseguiu avançar com a contagem. "Conseguimos contornar todas essas dificuldades no último momento, fizemos a contenção de todos os arquivos de boletim de urna do Brasil e, após essa decisão de poucas horas, conseguimos dar a fluência num ritmo que evitasse qualquer tipo de problema técnico", disse Nunes Marques.
Após a decisão de Zanin, o presidente do TSE emitiu ofício com orientações aos presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sobre os procedimentos a adotar diante da prorrogação.
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