Bilionário se torna maior doador individual das eleições de meio de mandato e reverte promessa feita em 2025 de reduzir gastos políticos
O empresário Elon Musk destinou cerca de US$ 366 milhões (R$ 1,8 bilhão) a comitês e candidatos do Partido Republicano no atual ciclo eleitoral americano, tornando-se o maior doador individual das eleições de meio de mandato de 2026, segundo registros de financiamento de campanha revelados pelo jornal The New York Times.
Do total, US$ 276 milhões (R$ 1,3 bilhão) foram repassados somente a partir de julho, no terceiro trimestre do ano. O volume consolida Musk como o principal financiador individual da legenda do presidente Donald Trump na disputa que definirá o controle do Congresso americano.
As eleições de meio de mandato, conhecidas nos Estados Unidos como midterms, ocorrem a cada quatro anos, na metade do mandato presidencial, e renovam toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Neste ano, a votação está marcada para 3 de novembro, e o Partido Republicano mantém hoje a maioria nas duas Casas.
O maior volume de recursos do trimestre — US$ 158 milhões — foi encaminhado ao Senate Leadership Fund, principal comitê de ação política dedicado a eleger republicanos ao Senado e alinhado ao líder da maioria na Casa, o senador John Thune, da Dakota do Sul. Outros US$ 20 milhões foram ao Congressional Leadership Fund, braço que apoia candidatos republicanos à Câmara e tem como referência o presidente da Casa, Mike Johnson, da Louisiana.
Musk também injetou US$ 76 milhões no America PAC, comitê de ação política criado por ele próprio para arrecadar fundos para campanhas eleitorais. Outros US$ 10 milhões foram ao Lone Star Liberty PAC, grupo que sustenta a candidatura do procurador-geral republicano Ken Paxton ao Senado pelo Texas — pesquisas recentes mostram Paxton em empate técnico com o democrata James Talarico.
O empresário completou o pacote do trimestre com US$ 10 milhões à Associação de Governadores Republicanos e US$ 2 milhões à Associação de Procuradores-Gerais Republicanos.
A escalada representa uma mudança de rota em relação ao próprio discurso de Musk. Em maio de 2025, ele havia dito que pretendia reduzir os gastos políticos. "Acho que já fiz o suficiente", afirmou na ocasião.
A nova onda de doações é lida por veículos da imprensa internacional como uma ofensiva de Musk contra parlamentares democratas que cobram investigações sobre os contratos de sua empresa aeroespacial, a SpaceX, com o governo americano, além de questionamentos sobre a atuação dele à frente do Departamento de Eficiência Governamental durante a gestão Trump.
Musk teve um desentendimento com Trump ao deixar o cargo no governo americano, mas os dois se reconciliaram. Na semana passada, o presidente concedeu ao empresário a Medalha Nacional de Ciência. Musk também retornou à estrutura do governo como conselheiro de um estudo sobre o futuro da guerra.
O empresário, dono também da Tesla, viu recentemente sua fortuna pessoal voltar a superar US$ 1 trilhão, segundo estimativa da revista Fortune — patamar que amplia o alcance de sua influência política entre os doadores individuais dos Estados Unidos.
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