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Quinta-feira, 18 de junho de 2026

Conferência em Dourados debate sobrecarga municipal e cobra responsabilidade de entes federativos

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A sobrecarga do sistema público e a necessidade de um modelo de financiamento que respeite o pagador de impostos local pautaram a abertura da 10ª Conferência Municipal de Saúde de Dourados, realizada na noite desta quarta-feira, no auditório da Unigran. O evento, registrado pelas lentes do fotógrafo A. Frota, reuniu um grande público, incluindo servidores, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), representantes do poder público e da sociedade civil.

O foco central das discussões foi o custo de manter a máquina pública operando como polo regional. Em seu pronunciamento, o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, foi categórico ao expor o desequilíbrio do atual modelo: Dourados não custeia apenas a saúde de seus munícipes, mas acaba prestando atendimento a moradores de dezenas de cidades da região sul do Mato Grosso do Sul. Essa realidade exige, segundo ele, que a União e o Estado assumam suas fatias na conta.

“Dourados possui uma responsabilidade regional importante. Por isso, é fundamental que União, Estado e municípios se unam para discutir um financiamento mais justo, capaz de atender às demandas da população e fortalecer a rede pública de saúde”, pontuou o secretário, cobrando investimentos compatíveis com o volume de atendimentos prestados.

Gestão Pautada em Viabilidade e Execução

Longe de promessas irrealistas, a gestão municipal cobrou pragmatismo. Figueiredo destacou que a sociedade precisa compreender sua parcela de responsabilidade e que os debates devem focar no que é concretamente realizável com o dinheiro público.

“É preciso que as pessoas se envolvam e que a sociedade também compreenda a responsabilidade que possui no fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Este é um espaço democrático para discutir, avaliar o que está acontecendo e construir propostas viáveis, pautadas na transparência, na necessidade e na capacidade de execução”, declarou o chefe da pasta da Saúde.

Responsabilidade Federal e Saúde Indígena

Outro gargalo apontado na conferência foi a saúde indígena, área que demanda forte atuação federal. O secretário exigiu a participação efetiva da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) nas resoluções e no fortalecimento do atendimento nas aldeias.

“Precisamos trabalhar a equidade e olhar para os povos indígenas de maneira diferenciada, respeitando suas especificidades. Este é um tema fundamental para Dourados e para todo o Mato Grosso do Sul, que possui uma das maiores populações indígenas do país”, afirmou Figueiredo, ressaltando a necessidade de divisão de responsabilidades.

Programação e Palestra Magna

A solenidade de abertura também abriu espaço para apresentações culturais e a presença do primeiro escalão estadual. A secretária adjunta de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Christinne Cavalheiro Maymone Gonçalves, foi a responsável por ministrar a palestra magna, que carregou o tema: “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”.

A 10ª Conferência Municipal de Saúde segue com sua programação de grupos de trabalho e debates ao longo desta quinta (18) e sexta-feira (19), nas salas e no auditório da Unigran. O objetivo final é formular propostas pragmáticas que guiem as políticas do setor e garantam que o SUS funcione de maneira eficiente nas esferas municipal, estadual e nacional, sem penalizar os cofres das cidades que atuam como referência.

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