BRASÍLIA — A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (18) mais uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no âmbito das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.
Por ordem de Moraes, Bolsonaro foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência, localizada no bairro Jardim Botânico, em Brasília. A sede nacional do Partido Liberal (PL), legenda à qual o ex-presidente é filiado, também foi alvo da operação.
Além das buscas, o ministro determinou a adoção de medidas cautelares severas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais, e recolhimento domiciliar noturno.
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Medidas impostas por Moraes
As medidas cautelares foram aplicadas com base na avaliação de que Bolsonaro teria atuado para obstruir investigações, coagir testemunhas e manipular informações com o objetivo de “fragilizar a soberania nacional” — segundo apontou a decisão do STF.
As restrições incluem:
• Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
• Proibição de usar redes sociais e de interagir com outros investigados;
• Proibição de manter contato com diplomatas estrangeiros;
• Recolhimento domiciliar entre 19h e 6h todos os dias;
• Proibição de sair da comarca do Distrito Federal sem autorização judicial.
A decisão foi encaminhada à Primeira Turma do STF, que tem até domingo (21) para deliberar se as medidas serão mantidas ou derrubadas.
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Contexto: o inquérito do “golpe”
A operação desta quinta-feira está vinculada ao inquérito PET 14129, que apura a participação de Bolsonaro e aliados em articulações contra o resultado das eleições de 2022, com suspeitas de envolvimento de militares, assessores e agentes políticos.
O nome de Bolsonaro voltou a ganhar força no inquérito após revelações de mensagens trocadas com o deputado Eduardo Bolsonaro, onde se discutiam estratégias com aliados internacionais e possíveis movimentações em Washington envolvendo o ex-presidente Donald Trump.
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Bolsonaro: “Suprema humilhação”
Em rápida declaração à imprensa, Bolsonaro classificou a operação como uma “suprema humilhação” e reforçou que está sendo vítima de perseguição política. Seus advogados criticaram a decisão de Moraes e disseram que não houve qualquer descumprimento de medidas anteriores por parte do ex-presidente.
“Isso não tem precedente. Um ex-presidente usando tornozeleira porque falou com o filho e visitou um aliado político. É um atropelo”, disse um dos advogados de defesa.
O PL também se manifestou em nota, chamando as medidas de “exageradas e desproporcionais”, e acusou o STF de ultrapassar os limites constitucionais.
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Repercussão internacional
A operação repercutiu imediatamente fora do país. O Presidente americano Donald Trump publicou mensagem de apoio a Bolsonaro, afirmando que ele é vítima de uma “caça às bruxas política” e que “as forças da esquerda global estão atacando os patriotas”.
Trump chegou a mencionar possíveis retaliações comerciais contra o Brasil, caso a perseguição a Bolsonaro continue.
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O que está em jogo?
A imposição de tornozeleira eletrônica e outras restrições a um ex-presidente da República marca um momento inédito na história política recente do Brasil. O desenrolar do caso pode influenciar diretamente a corrida eleitoral de 2026, onde Bolsonaro — embora inelegível por decisão anterior do TSE — ainda é considerado o maior nome da oposição ao governo Lula.
A Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, decidirá nos próximos dias se mantém as restrições impostas por Moraes.