Francis Clifford Smith escapou de oito execuções na década de 1950, cumpriu mais de sete décadas de pena e faleceu em casa de repouso.
Francis Clifford Smith, apontado como o prisioneiro que cumpriu a pena mais longa do sistema penitenciário dos Estados Unidos, morreu aos 101 anos de causas naturais. Condenado por assassinato em 1950, quando tinha 25 anos, o detento passou mais de sete décadas sob custódia estatal e chegou a receber a refeição final em oito ocasiões distintas antes de ter a ordem de execução revogada.
Smith foi acusado em 1949 pela morte de Grover Hart, vigia noturno de um clube náutico no estado de Connecticut. Embora um segundo envolvido tenha firmado acordo judicial para testemunhar contra ele, as evidências que sustentaram a condenação por homicídio em primeiro grau passaram a ser contestadas nos anos seguintes. Testemunhas recuaram de seus depoimentos, outro detento confessou o homicídio e um dos próprios investigadores da polícia expressou desconfiança em relação ao veredito.
"Nem sequer tenho certeza se ele estava presente no assassinato", declarou à época o major Leo Carroll ao Conselho de Indultos. As recorrentes dúvidas no processo motivaram adiamentos sucessivos da pena capital até que, em 1954, a sentença de morte foi formalmente comutada para prisão perpétua. Durante seu período na prisão de Osborn, Smith ficou conhecido internamente pelo hábito de alimentar aves com pedaços de pão recolhidos no refeitório, segundo relatou Andrius Banevicius, oficial de informações públicas do Departamento de Execuções Penais de Connecticut.
Ao longo de mais de 70 anos sob custódia, Smith teve breves intervalos em liberdade: fugiu em 1967, sendo recapturado 12 dias depois; obteve licença para passar a véspera de Natal em casa em 1974; e permaneceu dez meses sob condicional em 1975, revogada após acusações de furto e porte de arma. Richard Sparaco, ex-diretor executivo do órgão de indultos, informou que o apenado rejeitou sucessivas ofertas de condicional até aceitar, em 2020, a transferência supervisionada para a instituição de longa permanência 60 West, vinculada ao programa MissionCare Health.
A morte de Smith, ocorrida enquanto dormia, expõe a aceleração do envelhecimento no sistema prisional norte-americano. De acordo com a pesquisadora Stephanie Prost, da Universidade de Louisville, a população carcerária com 55 anos ou mais aumentou quase 400% entre 1991 e 2021. Projeções oficiais do Departamento do Censo apontam que, até 2030, um em cada três presidiários no país terá mais de 50 anos, cenário que amplia a pressão por mecanismos de assistência médica especializada e políticas humanitárias para detentos idosos.
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