Luigi Mangione comparece a tribunal em Manhattan; acordo pode afetar julgamento por homicídio na esfera estadual.
Nova York — Acusado pelo assassinato do executivo Brian Thompson, ocorrido em dezembro de 2024, Luigi Mangione deve se declarar culpado nesta sexta-feira (14) perante a Justiça Federal dos Estados Unidos. As tratativas para o encerramento do processo em nível federal foram antecipadas pelos jornais The New York Times e pela agência Associated Press, com base em fontes ligadas ao caso.
Mangione foi formalmente denunciado pela morte de Thompson, de 50 anos, então diretor-executivo (CEO) da seguradora UnitedHealthcare. A vítima foi alvejada a tiros em 4 de dezembro de 2024, em frente a um hotel em Manhattan, quando se deslocava para a conferência anual de investidores organizada pelo UnitedHealth Group.
A audiência, designada de última hora no tribunal federal de Manhattan, concentra-se em duas acusações de perseguição (stalking). Até o momento, o réu sustentava declaração de inocência nas duas jurisdições. Em janeiro, a juíza federal Margaret Garnett afastou as imputações federais diretas de homicídio e de posse de armas por razões processuais, o que eliminou o risco de pena de morte na esfera federal, mantendo a pena potencial de prisão perpétua sem liberdade condicional.
A manobra da defesa busca acionar os dispositivos legais do estado de Nova York sobre dupla persecução penal. Sob essa premissa jurídica, os advogados de Mangione pretendem requerer o arquivamento das denúncias na Justiça estadual, sob a justificativa de que o réu não pode responder duas vezes pelos mesmos acontecimentos fáticos. Em contrapartida, os promotores estaduais sustentam que as imputações possuem naturezas jurídicas autônomas e devem ser julgadas de forma independente.
Paralelamente ao processo federal, Mangione segue com julgamento estadual marcado para 8 de setembro, no qual responde por homicídio, delitos de armas e falsificação. O caso ganhou ampla notoriedade pública em território norte-americano, tornando-se ponto de convergência de críticas ao funcionamento das operadoras privadas de saúde. Uma arrecadação coletiva organizada pela internet reuniu mais de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 7,8 milhões) para custear os serviços de sua defesa.
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