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Geopolítica

Em conversa com Trump, Lula contesta tarifas comerciais e debate segurança

Telefonema de 80 minutos tratou de barreiras econômicas, classificação de facções criminosas e desdobramentos de conflitos internacionais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta sexta-feira (21) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma ligação de uma hora e vinte minutos. Durante o diálogo, avaliado pelo Palácio do Planalto como amistoso e cordial, Lula contestou a imposição de novas tarifas de 12,5% e 25% sobre as exportações brasileiras, classificando as alegações que sustentaram a medida como infundadas e defendendo que as negociações bilaterais são o melhor caminho para ambos os países.

A conversa marcou o terceiro e mais longo telefonema entre os dois mandatários desde outubro de 2025. Trump concordou com a necessidade de preservar relações comerciais sólidas e propôs a retomada ágil de conversas técnicas. Como desdobramento imediato, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, confirmou que se reunirá na próxima semana com o representante comercial americano, Jamieson Greer, que entrou em contato direto por determinação do líder norte-americano.

Na pauta de segurança pública, Lula reiterou o interesse na cooperação bilateral no combate ao crime organizado e enumerou as ações legislativas e operacionais adotadas no Brasil. O presidente argumentou que, embora as facções imponham violência contínua às populações vulneráveis, não devem ser equiparadas a grupos terroristas — em junho, o governo norte-americano incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. Em resposta, Trump indicou a intenção de escalar funcionários de alto escalão para dar andamento aos entendimentos.

O telefonema contemplou ainda o cenário geopolítico, com os líderes defendendo uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia, prestes a completar cinco anos. Trump teceu considerações sobre as perspectivas para o conflito com o Irã, enquanto Lula apontou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU. A ligação, solicitada pelo governo brasileiro e aceita pela Casa Branca na quinta-feira (20), iniciou-se com uma pergunta do presidente americano sobre o processo eleitoral no Brasil, respondida por Lula com a declaração de que "está indo tudo bem", acompanhada da reafirmação sobre a segurança do sistema eleitoral.

Apesar da reabertura de diálogo direto no nível presidencial, membros do governo brasileiro mantêm cautela sobre o impacto real da ligação no segundo escalão da administração americana, que vinha adotando postura divergente nas últimas semanas.


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