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Geopolítica

Lula afirma que vencerá Estados Unidos na narrativa e defende reciprocidade comercial

Em meio à estratégia eleitoral voltada a plataformas digitais, presidente contesta tarifas norte-americanas e nega acusações ambientais e trabalhistas.

Brasília — Em declarações concedidas durante entrevista gravada no Palácio da Alvorada aos podcasts "Não Inviabilize" e "As Cunhãs", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que o governo brasileiro pretende "vencer os Estados Unidos na narrativa" na disputa em torno de sanções econômicas. O mandatário justificou o início do processo para aplicação do princípio de reciprocidade comercial como uma demonstração de que o país "não é pouca coisa".

O petista reconheceu a disparidade bélica entre as duas nações, ressaltando que o Brasil não detém o mesmo poderio militar das forças armadas americanas, mas argumentou que a diplomacia nacional possui fundamentos sólidos para rebater as alegações que motivaram a imposição de restrições tarifárias por Washington. Segundo o chefe do Executivo, as medidas restritivas foram estruturadas sobre o que classificou como "mentiras".

Ao rebater os argumentos apresentados pelas autoridades norte-americanas, Lula contestou diretamente os apontamentos sobre aquisição de itens ligados a trabalho escravo e eventuais omissões na fiscalização contra o desmatamento.

"Eles taxaram o Brasil com base em mentira."

A ofensiva retórica ocorre paralelamente a uma mudança tática na agenda de comunicação presidencial rumo à disputa eleitoral de 2026. Candidato à reeleição, Lula tem priorizado gravações em canais da internet e produções independentes, a exemplo da recente participação no podcast "Inteligência Ltda.", em um movimento coordenado para alcançar fatias mais jovens do eleitorado e impulsionar o engajamento nas redes sociais.

A opção por transmissões digitais ganha tração enquanto o presidente reduz a presença em entrevistas concedidas a veículos tradicionais de imprensa — quadro similar ao registrado com o senador Flávio Bolsonaro, que também não integrou a rodada de sabatinas com candidatos ao Planalto conduzida pelo portal g1 e pela GloboNews. Na avaliação da coordenação petista, o ambiente digital favorece conversas extensas e estabelece um canal direto com a população sobre economia, realizações da gestão e o cenário político.


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