Novas resoluções estabelecem limites para entrada de produtos com tarifa zero; volume excedente será taxado em até 20%. Medida segue tendência protecionista iniciada pela China.
O governo do México oficializou nesta segunda-feira (5) duas resoluções que restringem a importação de carnes bovina e suína isentas de impostos. A medida altera a regra anterior, que permitia às empresas mexicanas comprar esses alimentos do exterior com tarifa zero, independentemente da quantidade adquirida.
A partir de agora, foram instituídas cotas específicas. Os volumes que ultrapassarem esses limites passarão a ser tributados, o que deve impactar diretamente países exportadores, como o Brasil. A decisão mexicana ocorre poucos dias após a China, principal compradora da carne bovina brasileira, também anunciar limitações às importações do produto.
A política de isenção ilimitada no México vigorava desde 2022, como parte do Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), iniciativa governamental desenhada para frear a alta nos preços dos alimentos. Embora o programa tenha sido prorrogado neste ano, diversos itens passaram a ser submetidos a cotas e tarifas.
As novas regras de tributação
Válida até 31 de dezembro deste ano, a nova determinação funciona da seguinte forma:
- Carne Bovina: O México permitirá a importação de até 70 mil toneladas sem cobrança de impostos. O que exceder esse teto será taxado em 20%.
- Carne Suína: A cota livre de impostos será de 51 mil toneladas. O volume excedente pagará uma taxa de 16%.
Nas resoluções, o governo mexicano justifica que as cotas visam manter o “equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional”.
Impacto no Brasil e reação do setor
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), entre janeiro e novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo produto mais exportado pelo Brasil para o México, enquanto a carne suína ocupou a décima posição.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) esclareceu que a cota é direcionada a países fora da América do Norte e que não possuem acordo comercial com o México. “A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia”, avaliou a entidade, que representa o setor de suínos. A ABPA informou ainda que o frango — principal item exportado pelo Brasil para o mercado mexicano — permanece com tarifa zerada.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), focada em bovinos, comunicou que aguarda orientações das autoridades mexicanas sobre como será operada a distribuição dessas cotas.
Relevância do mercado mexicano
Considerando os valores das compras de janeiro a novembro de 2025 (dados do Agrostat/Ministério da Agricultura), o México ocupa posições estratégicas para o agronegócio brasileiro:
- Carne Bovina: É o 5º maior cliente do Brasil (atrás de China, EUA, União Europeia e Chile).
- Carne Suína: É o 7º maior destino (atrás de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura).
O contexto chinês
A restrição mexicana surge quase uma semana após a China também impor limites à importação de carne bovina para proteger seus produtores locais. O gigante asiático, maior comprador do Brasil, criou cotas anuais para aquisições estrangeiras.
Atualmente, a taxa de importação para a China é de 12%. Com a nova regra, vigente desde 1º de janeiro de 2026 e com duração de três anos, o volume que exceder a cota sofrerá uma sobretaxa de 55%.
O Ministério do Comércio da China estipulou uma cota total de importação de 2,7 milhões de toneladas para 2026. Esse volume é próximo ao recorde de 2024 (2,87 milhões de toneladas), mas inferior ao total importado apenas nos primeiros 11 meses de 2025. O limite deverá aumentar progressivamente ano a ano.