Volume de embarques da China cresceu 105,4% no ano, enquanto exportações nacionais recuaram 20,8% sob o impacto de retração na Argentina
São Paulo — A presença de veículos fabricados na China no mercado brasileiro registrou forte expansão nos primeiros sete meses de 2026. Entre janeiro e julho, o volume de automóveis importados do país asiático mais do que dobrou, registrando uma alta de 105,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
No acumulado do ano, o Brasil comprou do exterior 344,1 mil autoveículos, número 25,7% superior ao contabilizado nos sete primeiros meses de 2025. Deste montante total de importações, mais de 180 mil unidades tiveram origem chinesa, o que equivale a 52,4% de todas as compras de automóveis feitas pelo país no mercado internacional.
O avanço das importações ocorre em um momento de retração no comércio externo da indústria automobilística brasileira. De janeiro a julho, o Brasil exportou 255,9 mil autoveículos, contra 323 mil unidades no mesmo intervalo do ano passado, representando um recuo de 20,8%. A Argentina, principal parceira comercial do país no setor automotivo, liderou a queda com uma redução de 35,4% nos embarques recebidos. Com exceção da Colômbia, os envios de veículos brasileiros caíram para todos os países da América Latina. Em julho, as exportações tiveram uma reação pontual e somaram 39,3 mil unidades, avanço de 6,8% frente a junho.
A dimensão da entrada de carros estrangeiros no país provocou alerta entre as montadoras locais. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou a proporção que o volume importado alcançou em relação à capacidade fabril instalada no território nacional.
"Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos."
Apesar da forte concorrência de importados e das barreiras no mercado externo, a produção das fábricas brasileiras manteve ritmo de crescimento. A indústria automotiva nacional produziu mais de 1,6 milhão de veículos entre janeiro e julho de 2026, um incremento de 8,3% sobre os 1,5 milhão fabricados no mesmo período de 2025. Apenas no mês de julho, saíram das linhas de montagem 253,9 mil unidades, avanço de 3,1% em relação a junho e de 5,9% na comparação com julho de 2025.
Esse desempenho colocou o Brasil na segunda posição global em ritmo de expansão da produção automobilística no período, com alta de 8,8%, atrás somente da Índia (+14,5%) e à frente do Japão (+2,9%), enquanto Estados Unidos (-11,7%) e China (-4%) registraram retração. Para Calvet, o avanço interno é "um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores".
No ambiente interno, as vendas de autoveículos novos alcançaram em julho o melhor patamar do ano, com 279,5 mil unidades emplacadas — crescimento de 2,6% sobre junho e de 14,9% na comparação anual. No acumulado até julho, os emplacamentos ultrapassaram 1,7 milhão de unidades, avanço de 17,9%. O período registrou média diária de 12,2 mil vendas ao longo de 23 dias úteis. A Anfavea manteve sua projeção de fechamento de ano com crescimento de 12,1% nas vendas totais em 2026.
O segmento de veículos eletrificados teve participação decisiva nos resultados de julho, respondendo por 23,5% de todos os emplacamentos do mês. No mesmo mês de 2025, elétricos e híbridos somavam menos de 11% do mercado. Os modelos totalmente elétricos bateram recorde histórico em julho, com 25,8 mil unidades emplacadas. No acumulado do ano, as vendas de eletrificados cresceram 120,8%.
A expansão deve ganhar novos capítulos nos próximos anos. Sete novas marcas chinesas já confirmaram planos de iniciar operações no Brasil até 2028, incluindo quatro marcas da Chery International, a Dongfeng (que operará sob a sigla DFM) e a marca de luxo IM, braço do grupo MG.
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