Descoberta de aeronave que caiu em 1952 e deixou 52 mortos foi realizada com auxílio de drone submarino após anos de pesquisas históricas.
Exploradores anunciaram nesta terça-feira (21) a localização dos destroços do Clipper Endeavor, um avião quadrimotor DC-4 da companhia aérea Pan Am que permaneceu desaparecido por 74 anos no oceano. A queda da aeronave, ocorrida em 1952 após a decolagem de Porto Rico com destino a Nova York, resultou na morte de 52 pessoas e impulsionou reformulações nas regras mundiais de segurança da aviação comercial.
O acidente ocorreu quando o avião apresentou perda de potência nos motores logo após deixar o aeroporto e realizou um pouso forçado sobre a água. A bordo estavam 69 passageiros e tripulantes. Segundo os relatos de 17 sobreviventes prestados aos investigadores na ocasião, todas as pessoas resistiram ao impacto inicial com o mar. Contudo, a dificuldade dos passageiros em localizar os coletes salva-vidas e os entraves enfrentados pela tripulação para desdobrar os botes infláveis fizeram com que a estrutura afundasse em poucos minutos.
A localização da carcaça foi confirmada a cerca de 610 metros de profundidade, equivalente a 2 mil pés, em uma área de varredura de 34 quilômetros quadrados. A expedição utilizou um drone submarino autônomo equipado com sonar, operado em conjunto pela equipe do pesquisador Russ Matthews e pela empresa especializada Deep Sea Vision, com registros captados pela produção do programa "Expedition Unknown", do Discovery Channel.
As investigações para encontrar o avião começaram em 2019, quando Matthews tomou conhecimento de uma etiqueta de bagagem do voo encontrada na costa da Flórida. A partir desse indício, o especialista analisou relatórios da Guarda Costeira dos Estados Unidos, acervos da Pan Am e registros do antigo Conselho de Aeronáutica Civil. O ponto decisivo para delimitar as buscas foi o resgate de um mapa traçado por pilotos da Força Aérea americana que presenciaram a queda durante um treinamento em Porto Rico.
O desastre marcou uma guinada nos procedimentos preventivos adotados pelas companhias aéreas nas décadas seguintes. Segundo o especialista em segurança da aviação John Cox, a tragédia serviu de ponto de virada para a adoção obrigatória das instruções pré-voo e a melhoria dos equipamentos individuais de flutuação atualmente explicados pelos comissários de bordo antes de cada decolagem.
"Este incidente se tornou um catalisador e ajudou a impulsionar avanços na segurança, como melhores equipamentos de flutuação e briefings pré-voo", afirmou Cox, ressaltando que o episódio foi determinante para o padrão de proteção consolidado no setor.
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