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Economia

Durigan nega plano de tabelar juros no quarto mandato de Lula


Ministro da Fazenda afasta proposta de André Lara Resende e nega reunião do economista com o presidente

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou nesta segunda-feira (2) que o governo avalie tabelar a taxa Selic ou usar reservas cambiais para compensar eventual fuga de capital do Brasil no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista venceu Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e, desde então, permanece recolhido no Palácio da Alvorada e na Residência Oficial na Granja do Torto para descansar e recompor a voz.

A manifestação do ministro ocorre depois que interlocutores de Lula repercutiram a possibilidade de o presidente se encontrar nesta semana com o economista André Lara Resende, um dos autores do Plano Real e defensor do tabelamento de juros. A informação sobre o encontro foi publicada pelo jornal O Globo.

Segundo Durigan, não há agenda prevista entre Lula e Resende. "Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende", afirmou o ministro em nota enviada pela assessoria de imprensa da Fazenda.

Mercadante, histórico aliado de Lula e conselheiro da campanha deste ano em temas de política econômica, também negou qualquer discussão sobre o tabelamento de juros. O economista já havia elaborado o plano de governo do petista na campanha de 2022 e coordenado os grupos técnicos da transição.

"Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica. A campanha já terminou, agora o presidente coordena o processo e define as responsabilidades", disse Mercadante ao g1.

Para o presidente do BNDES, a condução da política econômica seguirá o padrão adotado nos mandatos anteriores de Lula. "O governo Lula sempre governou assegurando transparência e previsibilidade da política econômica. O presidente precisa definir as responsabilidades pela economia e caberá à nova equipe construir as equipes e estabelecer os diálogos", declarou.

A proposta que motivou a repercussão foi apresentada por André Lara Resende em publicação do fim de setembro. O economista defende um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária para reduzir a Selic, hoje em 13,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O plano prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por fixar metas fiscais e monetárias para um horizonte de quatro a cinco anos. "O BC se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, 3,0%, e taxa de crescimento nominal potencial, ou seja, a meta da inflação somada ao crescimento real potencial, o que hoje seria em torno de 5,5% ao ano", descreve a proposta.

Resende sugere ainda que o Banco Central reduza o juro básico de forma gradual, ao longo de cerca de doze meses, até um spread de segurança de 2% acima da meta — perto de 7,5% ao ano —, percentual que seria reavaliado periodicamente e eliminado com o tempo. No texto, o economista critica o nível atual da taxa: "A economia tem um problema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoria monetária e fiscal anacrônica."

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais de Lula, defendeu publicamente o artigo de Resende em rede social, classificando-o como "fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal brasileira". Nesta segunda-feira, ela também criticou a reação do mercado financeiro à possibilidade do encontro, afirmando que "o mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo".

"Parece normal que o presidente Lula chame para conversar gente que não está tão comprometida com essa Faria Lima. Até porque, conversar e procurar entender todos os problemas é uma virtude do presidente. Isso não quer dizer que esses adversários não tenham entendido ainda que Lula não fará o estelionato eleitoral que defendem, alguns em voz alta e com todas as letras", escreveu a deputada.

Segundo Mercadante, Lula deve começar a discutir a composição do quarto mandato a partir desta terça-feira (3), quando o presidente deverá definir quem assumirá as responsabilidades pela equipe econômica.

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