Congresso promulga emenda que reduz jornada semanal de 44 para 40 horas; pesquisas apontam empate entre Lula e Flávio Bolsonaro
O dólar fechou em queda de 0,28% nesta sexta-feira (16), cotado a R$ 5,0728, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,54%, aos 205.430 pontos. O pregão foi marcado pela promulgação da emenda constitucional que extingue a escala de trabalho 6x1, pela divulgação de pesquisas eleitorais que mostram empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026, e por dados de atividade econômica do Banco Central.
Na semana, o dólar acumula alta de 1,77%, mas recua 1,96% no mês e 7,58% no ano. O Ibovespa, por sua vez, perdeu 1,74% nos últimos cinco pregões, soma ganho de 10,24% em outubro e avança 27,50% em 2026.
O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira, em sessão solene, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. É a primeira mudança nas regras gerais de jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, e, por se tratar de alteração constitucional, a medida não depende de sanção presidencial.
A nova regra reduz, de forma gradual, a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. O prazo de dois meses para a primeira etapa da transição começa a contar a partir da publicação da emenda no Diário Oficial da União, quando o limite semanal cairá para 42 horas, com dois dias de repouso garantidos. Na prática, a exigência de dois dias de descanso impede a manutenção regular da escala em que o funcionário trabalha seis dias e folga um — e deve obrigar empresas a revisar contratos e escalas de compensação já em vigor.
A mudança no mercado de trabalho disputou espaço no noticiário com o calendário eleitoral. As pesquisas mais recentes do Datafolha e da Quaest mostram cenário de empate técnico entre Flávio e Lula. O levantamento do Datafolha, divulgado na quinta-feira (15), aponta o senador com 47% das intenções de voto, contra 45% do presidente — diferença que caiu de quatro para dois pontos percentuais em relação à semana anterior. Já a Quaest, publicada na quarta-feira (14), registra 46% para Flávio e 44% para Lula, com 9% de eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas, e 1% de indecisos. Ambas as pesquisas têm margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Na noite de quinta-feira, Lula foi entrevistado pela TV Globo e defendeu a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos, pediu a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal citados em suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e comentou a relação comercial do Brasil com os Estados Unidos. Nesta sexta-feira, é a vez de Flávio Bolsonaro conceder entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na mesma série de conversas com os candidatos ao segundo turno.
Na agenda econômica, o destaque do dia foi o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), indicador do Banco Central que funciona como termômetro da economia e antecipa tendências do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador cresceu 0,3% em agosto, primeira alta em três meses, após recuo de 0,3% em julho. O resultado foi impulsionado pela indústria, com avanço de 0,9%, e pelos serviços, que cresceram 0,2% — enquanto a agropecuária recuou 1,8%. No acumulado de janeiro a agosto e em doze meses, a alta chega a 1,6%.
O desempenho da atividade econômica também pesa na definição da taxa básica de juros pelo Banco Central: uma economia mais aquecida tende a pressionar a inflação e dificultar cortes na Selic.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam com desempenho misto. O S&P 500 recuou 1,10%, a 7.658,62 pontos, e o Nasdaq Composite caiu 2,15%, a 26.137,85 pontos, pressionados pela queda das ações de empresas de chips. O Dow Jones perdeu 0,36%, a 51.990,05 pontos. Os investidores também monitoram a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que deve manter as taxas inalteradas neste mês.
Na Europa, as bolsas fecharam em alta e encerraram a semana com o melhor desempenho desde o final de junho, sustentadas por resultados financeiros positivos de empresas listadas. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,6%, o DAX alemão avançou 0,94% e o CAC 40 francês teve alta de 0,28%; em Londres, o FTSE 100 fechou com ganho de 0,38%. Na Ásia, os mercados também fecharam em alta, recuperando parte das perdas da sessão anterior em meio a sinais de apoio do governo chinês — ainda assim, o índice CSI300, que reúne as maiores empresas chinesas, acumulou queda de 3,4% na semana, o pior resultado em três meses.
Com a emenda da escala 6x1 promulgada, o próximo passo é a publicação no Diário Oficial da União, que dará início à contagem dos prazos de transição e definirá o calendário que empresas terão de seguir para adaptar contratos e jornadas nos próximos anos.
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