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Economia

Durigan descarta crise geral com Casas Bahia e reforça ajuste fiscal

Em entrevista, ministro da Fazenda aponta impacto dos juros no varejo, rejeita desvinculação do salário mínimo e promete corte em benefícios fiscais

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (21) que as dificuldades financeiras enfrentadas pela rede Casas Bahia representam um caso pontual e não configuram uma crise generalizada na economia brasileira. Em entrevista ao programa GloboNews Mais, aos jornalistas Julia Duailibi e Fernando Nakagawa, o titular da pasta reconheceu a forte pressão dos juros elevados sobre o comércio, mas destacou que levantamentos históricos mostram recuo no número de falências e recuperações judiciais no país, com o varejo posicionado atrás de setores como a indústria.

Ao analisar o cenário do grupo varejista, Durigan lembrou que a empresa já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial sem conseguir equalizar o endividamento. O ministro explicou que a atividade varejista opera com margens apertadas e atua de forma alavancada, dependendo intensamente de crédito tanto para honrar compromissos com fornecedores quanto para viabilizar o consumo das famílias. Diante desse quadro, refutou discursos de crise sistêmica levantados por adversários políticos.

Como resposta aos juros altos, o chefe da Fazenda sustentou a necessidade de manter o aperto nas regras do arcabouço fiscal, equilibrando as contas públicas para colaborar com a política monetária. Entre as medidas em andamento e projetadas, Durigan citou a aprovação da contenção de despesas obrigatórias no Congresso, os bloqueios orçamentários, a redução linear de incentivos fiscais e o foco na eficiência administrativa. O plano estabelece um limite de 0,6% para o incremento de gastos com funcionalismo no próximo ano, priorizando investimentos em tecnologia em vez de novas contratações de pessoal.

O ministro também defendeu a revisão de privilégios previdenciários no serviço público e nas Forças Armadas para ampliar a margem orçamentária destinada a investimentos discricionários. No entanto, descartou categoricamente qualquer alteração na regra de reajuste dos benefícios previdenciários e sociais vinculados ao salário mínimo, garantindo que o tema não está em pauta no governo.

O esforço de consolidação fiscal mira um ajuste próximo a 2% do Produto Interno Bruto (PIB), cálculo que engloba o pacote global de medidas e desconsidera exceções voltadas ao tarifaço e ao passivo de cerca de R$ 100 bilhões do Rio Grande do Sul com a União. Durigan evitou fixar uma redução na taxa de crescimento das despesas de 2,5% para 1,5%, remetendo o desenho da trajetória da dívida pública à entrega do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) ao Congresso Nacional na próxima semana, quando o governo deve detalhar um alívio fiscal de ao menos R$ 10 bilhões em despesas obrigatórias.


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