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Economia

Casas Bahia fecha quase 300 lojas e demite 3 mil funcionários em meio a pedido de recuperação judicial

Varejista recorre à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas e conter a pior crise financeira de sua história

São Paulo — O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e encerrou as atividades de quase 300 lojas em agosto deste ano. A redução drástica na estrutura operacional foi detalhada no pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça paulista, reflexo de uma tentativa de estancar custos diante da conjuntura mais adversa já enfrentada pela companhia.

A petição protocolada no Foro Central Cível de São Paulo abrange a controladora e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos. O recurso à proteção judicial teve o aval do Conselho de Administração e do acionista controlador, dependendo agora de ratificação formal em Assembleia Geral Extraordinária de acionistas por ter sido apresentado em caráter de urgência.

Entre os fatores apontados pela varejista para a deterioração de suas contas figuram a persistência de juros em patamares elevados, a retração direta no consumo de bens duráveis, o avanço da inadimplência e as pressões competitivas aceleradas pela transformação digital. Embora a rede tenha buscado conter despesas nos últimos exercícios, o custo financeiro do serviço da dívida seguiu drenando o caixa operacional.

O processo de ajuste teve início em meados de 2023, quando a empresa lançou o Plano de Transformação. Naquela primeira etapa, foram fechadas 55 filiais deficitárias, cortados 8,6 mil postos de trabalho e promovidos cortes em estoques e centros de distribuição. Em 2024, o grupo chegou a homologar uma recuperação extrajudicial de R$ 4,1 bilhões com bancos, mas a ausência de melhora no ambiente macroeconômico inviabilizou a estabilização prevista.

Com a nova rodada de demissões em 2026, o saldo consolidado da reestruturação atinge cerca de 11,6 mil postos eliminados e 355 lojas fechadas. A administração da Casas Bahia defende a viabilidade do negócio, destacando a manutenção de mais de 20 mil empregados ativos, mais de 700 unidades físicas em operação e o funcionamento regular do comércio eletrônico.


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