Levantamento aponta 64 óbitos oficiais e 66 corpos adicionais encontrados por moradores; total ultrapassa as 111 mortes do massacre de 1992.
A megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, resultou em pelo menos 130 mortes, segundo levantamento do g1. Este número torna a ação policial a mais letal da história do Rio, ultrapassando o Massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo, em 1992, que deixou 111 mortos.
O balanço oficial divulgado pelo governo estadual confirmou 64 mortes, sendo 60 classificados como suspeitos e quatro policiais. No entanto, na manhã desta quarta-feira (29), moradores da região localizaram outros 66 corpos em uma área de mata.
Estes 66 corpos foram transportados pelos próprios residentes até a Praça do Teleférico, na Penha. A Defesa Civil foi acionada para realizar a remoção.
Com o novo total de 130 mortes, a operação supera drasticamente o episódio do Carandiru, quando uma intervenção da Polícia Militar para conter uma rebelião resultou em 111 detentos mortos. A ação no Rio de Janeiro também ultrapassa o recorde anterior do estado, registrado na operação de Jacarezinho em 2021, que terminou com 28 mortos.
Apesar da letalidade, o governador Cláudio Castro classificou a operação como um “sucesso” e declarou que as únicas “vítimas” foram os quatro policiais mortos.
O alto número de óbitos levou o Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro do Rio, a suspender temporariamente seus atendimentos de rotina. A unidade dedicará seus recursos exclusivamente à necropsia dos 130 corpos provenientes da operação. Outros casos da capital fluminense estão sendo redirecionados para as unidades de Niterói e Campo Grande.
A operação teve como objetivo principal a captura de líderes da facção Comando Vermelho, incluindo o traficante conhecido como Doca, e impedir a expansão territorial do grupo. Segundo o balanço oficial, a ação resultou na apreensão de 93 fuzis e na prisão de 81 pessoas.