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Terça-feira, 2 de junho de 2026

Banco Central aperta regras do FGC para conter captações de alto risco

EconomiaBanco Central aperta regras do FGC para conter captações de alto risco

Norma do Conselho Monetário Nacional obriga instituições financeiras a investir em títulos públicos caso excedam limite de captação atrelada à garantia do fundo

As novas diretrizes que restringem o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como chamariz para atrair investidores entraram em vigor nesta segunda-feira (1º). A medida, desenhada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no final de abril, visa coibir o crescimento acelerado de instituições baseadas quase exclusivamente na oferta de rentabilidade acima da média do mercado associada à promessa de risco zero.

O freio regulatório tem como pano de fundo a recente crise envolvendo o Banco Master, que utilizou a cobertura do fundo — atualmente limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição — como argumento central para alavancar sua captação de recursos em curtíssimo prazo.

Sob o novo escopo normativo, os bancos passam a ser monitorados pelo chamado “ativo de referência”, um medidor da saúde financeira e da qualidade dos investimentos que compõem a carteira da instituição. Caso a autoridade monetária identifique um volume de dinheiro captado com o selo do FGC desproporcional à aplicação em ativos seguros, a instituição será forçada a rever imediatamente sua tese de alocação.

Na prática, os bancos enquadrados nesse cenário de desequilíbrio terão que destinar compulsoriamente parte de seus recursos para a compra de títulos públicos federais, papéis que oferecem liquidez imediata e baixíssimo risco de calote. Em paralelo, o Banco Central refinou os critérios de avaliação da capacidade de absorção de prejuízos, passando a contabilizar fontes alternativas de capital para cobrir perdas em cenários de estresse, além do patrimônio principal da instituição.

O cerco institucional também prevê uma mudança substancial na transparência operacional. A partir de novembro de 2026, os bancos associados receberão dados mais granulares sobre os investidores que mantêm aplicações cobertas, permitindo que tanto as instituições quanto o regulador mapeiem o risco real de exposição do fundo.

Para o Banco Central, a reestruturação tem o objetivo primário de ampliar a capacidade sistêmica de enfrentar choques. Em nota divulgada na última sexta-feira, a autarquia afirmou que as atualizações “melhoram a qualidade das informações disponíveis e reforçam a capacidade das instituições financeiras de lidar com riscos, fortalecendo a solidez e a transparência do Sistema Financeiro Nacional”.


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