Após quase três anos de desgaste político envolvendo a chamada “taxa das blusinhas”, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a enfrentar novas críticas nas redes sociais e entre parlamentares da oposição após sinalizar flexibilização na cobrança sobre compras internacionais de pequeno valor justamente em período pré-eleitoral.
A tributação sobre plataformas internacionais como Shopee, Shein e AliExpress se tornou um dos temas mais sensíveis do governo federal desde 2023, principalmente entre consumidores de baixa renda, pequenos empreendedores digitais e jovens que utilizavam os aplicativos para compras de roupas, acessórios e eletrônicos com preços reduzidos.
Durante a campanha presidencial de 2022, Lula e aliados chegaram a afirmar que não haveria criação de novos impostos para a população mais pobre. Entretanto, ao longo do mandato, o governo apoiou mudanças que passaram a permitir maior tributação sobre encomendas internacionais de até US$ 50, medida que rapidamente ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
Na prática, consumidores passaram a relatar aumento significativo no valor final das compras, com cobranças envolvendo ICMS estadual e tributos federais. O tema virou alvo constante de críticas nas redes sociais, especialmente entre eleitores mais jovens, influenciadores digitais e setores ligados ao comércio eletrônico.
Agora, às vésperas do período eleitoral de 2026, o governo passou a discutir alternativas para aliviar a cobrança e reduzir o impacto político da medida. A movimentação foi interpretada por opositores como uma tentativa de recuperar popularidade após anos de desgaste causado pela taxação.
Parlamentares de direita passaram a ironizar o recuo do governo, classificando a mudança como um “milagre eleitoral”. Nas redes sociais, usuários também resgataram vídeos antigos de integrantes do governo criticando fake news sobre possível taxação antes da implementação efetiva das cobranças.
A oposição afirma que o governo primeiro aumentou a carga sobre consumidores que buscavam produtos mais baratos e agora tenta suavizar o discurso diante da proximidade da disputa eleitoral. Críticos também apontam que a medida afetou principalmente trabalhadores informais, pequenos revendedores e famílias de menor renda que recorriam às plataformas estrangeiras para economizar.
Integrantes do governo, por outro lado, argumentam que as mudanças tiveram como objetivo combater concorrência desleal com o varejo nacional e ampliar mecanismos de fiscalização tributária sobre importações de baixo valor.

